EUA e Israel anunciam saída da Unesco

O governo americano acusou a organização de ser anti-Israel, criticou o aumento das dívidas do órgão e pediu reformas

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Os Estados Unidos e Israel anunciaram nesta quinta-feira (12) que deixarão a Unesco, agência de educação e cultura da ONU, em consequência do que o governo norte-americano afirmou ser um viés anti-israelense por parte da organização.

A saída dos Estados Unidos, que são responsáveis por fornecer um quinto do financiamento da Unesco, representa um grande golpe para a organização sediada em Paris, que foi fundada depois da 2ª Guerra Mundial para ajudar a proteger patrimônios culturais e naturais em todo mundo.

A Unesco é conhecida principalmente por designar os locais considerados Patrimônios Mundiais, como a cidade histórica síria de Palmira e o Parque Nacional do Grand Canyon, nos Estados Unidos.

Essa decisão não foi tomada facilmente, e reflete as preocupações dos Estados Unidos com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel", disse a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Heather Nauert em comunicado.

Horas depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel também deixará a organização e chamou a decisão dos Estados Unidos de "corajosa e moral".

A Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lamentou a decisão dos Estados Unidos.

"Após receber notificação oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, sr. Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco eu quero expressar meu profundo lamento com a decisão dos Estados Unidos da América de se retiraram da Unesco", disse a diretora-geral da agência, Irina Bokova, em comunicado.

A diretora-geral acrescentou que a decisão dos Estados Unidos representa uma perda para o multilateralismo e para a família ONU.

Os Estados Unidos já haviam cancelado em 2011 sua substancial contribuição financeira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder ao palestinos o status de membros plenos.

Os EUA e Israel estão entre os apenas 14 de 194 países membros da organização que votaram contra a admissão dos palestinos. O governo norte-americano não paga seus US$ 80 milhões anuais desde então, o que significa uma conta acumulada que supera os US$ 500 milhões.

Apesar de Washington apoiar um futuro Estado palestino independente, o governo dos Estados Unidos diz que são necessárias negociações de paz para a sua formação, e considera prejudicial ao processo que organizações internacionais admitam os palestinos antes da conclusão das negociações.

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