Governistas entregam ordem para presidente renunciar na África do Sul

De acordo com o Congresso Nacional do país, o Comitê Nacional do Partido pode retirar do posto quem não cumprir as regras

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, se aferrava ao poder nesta terça-feira (13), apesar de uma ordem do partido governista, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), para que deixe o posto, em meio a múltiplas alegações de corrupção. O secretário-geral da ANC e o vice visitaram a residência presidencial em Pretória na manhã do mesmo dia. Segundo a televisão oficial, eles entregaram uma carta a Zuma que ordenava a saída do posto.

No Parlamento, uma reunião de lideranças de todos os partidos está marcada para a manhã da próxima quarta-feira, em uma aparente preparação para uma moção de censura contra o presidente. O ANC tem ampla maioria na Casa, por isso pode retirar Zuma mesmo sem apoio da oposição. Os oposicionistas, de qualquer modo, já haviam pedido a queda do presidente.

Representantes de Zuma e o ANC não responderam os pedidos de entrevista. O partido agendou entrevista coletiva para terça-feira à tarde para atualizar o país sobre a decisão a respeito do futuro do presidente.

Pressão

A pressão pela saída de Zuma aumentou em dezembro, quando a ex-mulher e candidata favorita dela perdeu a disputa para ser líder do ANC. Zuma passou dez anos na prisão junto com Nelson Mandela por seus esforços para derrotar o apartheid, mas agora é pressionado a deixar o partido antes da eleição geral do próximo ano, para melhorar a imagem da sigla, após várias acusações de corrupção contra ele, a família e alguns dos aliados mais próximos. Presidente afirma ser inocente.

Pelas regras internas da ANC, o Comitê Executivo Nacional do partido, que se reuniu no início desta terça-feira (13), tem o direito de retirar do posto quem não cumprir as regras. Na prática, porém, depende de o funcionário seguir as ordens. Pela Constituição sul-africana, um presidente pode ser removido com uma moção de censura do Parlamento ou um processo de impeachment. Isso forçaria Zuma e o gabinete a sair e a presidente do Parlamento, Baleka Mbete, assumiria o posto por até 30 dias, até que os legisladores escolhessem um novo presidente.

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