Temer foi informante dos EUA, diz Wikileaks

Documentos de 2006 mostram atual presidente em exercício falando sobre cenário político daquele ano, em que ocorreu a reeleição de Lula

O presidente interino Michel Temer (PMDB) forneceu informações sobre os bastidores da política brasileira à embaixada dos EUA, informou o Wikileaks através de seu perfil oficial no Twitter.

Os documentos publicados no site da organização sueca são datados de janeiro e junho de 2006, mas só foram tornados públicos pelo Wikileaks na noite de ontem (12), após a posse de Temer.

Nos relatórios, classificados como "sensíveis e apenas para uso oficial", mas não confidenciais, o peemedebista traçou um perfil do cenário político da época, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorria à eleição que lhe deu seu segundo mandato.

Nas informações fornecidas por Temer em janeiro de 2006 através de telegrama, ele afirmou que “desilusão pública com Lula e o PT” favorecia o campo para que o PMDB lançasse um candidato próprio para concorrer à eleição presidencial daquele ano.

Em junho, porém, Temer relatou em outro telegrama que Lula havia tido sucesso em descolar sua imagem dos escândalos de corrupção revelados no mensalão, que atingiram alguns de seus "conselheiros mais próximos", e que seu principal opositor no pleito, Geraldo Alckmin (PSDB), sofria de “falta de carisma”.

Opositores do PT "não estavam ansiosos" para expor mensalão

Temer também creditou o fato de Lula ter saído bastante ileso do mensalão ao fato de que os outros partidos terem se envolvido, em outros períodos, em escândalos parecidos com o do mensalão e que por isso não estavam  “ansiosos para exporem totalmente os crimes do PT”.

Na conversa sobre o assunto que teve com o então cônsul dos EUA  em São Paulo, Christopher J. McMullen, o peemedebista citou o PSDB e o PFL (atual DEM) como legendas que também tinham construído grandes esquemas de corrupção. Apesar de Temer ter deixado a sigla de seu partido de lado ao falar sobre os desvios de dinheiro, em observação no texto do relatório o embaixador norte-americano ressaltou que o comentário poderia "se aplicar facilmente" ao PMDB.

O peemedebista disse ainda  que Lula teve sucesso ao expandir programas sociais para "ganhar a lealdade e o apoio" das classes média e baixa no Brasil. Apesar de traçar um panorama acurado do momento, Temer se recusou a comentar sobre um possível resultado das eleições.

À época, porém, uma coisa era clara para o atual presidente em exercício do Brasil: ele calculava que entre 10 e 15 governadores seriam eleitos pelo PMDB nas eleições – foram sete -, o que faria com que qualquer governo tivesse que negociar com seu partido "para fazer qualquer coisa".

Bastante crítico em relação ao PT, Temer também disse que era "difícil ser otimista" com o futuro da economia do Brasil. Ele ressaltou que, naquele período, o Brasil enfrentava problemas graves para "atrair investimento, melhorar a infraestrutura e diminuir a desigualdade", mas que os "truques" de Lula escondiam dos eleitores os "problemas crescentes".

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