Confira a lista de empresas citadas na Carne Fraca

Prisão de executivo e blitz de fiscalização marcaram este sábado, dia seguinte da deflagração da operação da Polícia Federal

Um dia após a deflagração da Operação Carne Fraca, agentes da Vigilância Sanitária fizeram blitz para fiscalizar a qualidade de carnes e embutidos vendidos no estado. Amostras dos produtos foram colhidas para verificar se há problemas. 

Em São Paulo, a Polícia Federal cumpriu, neste sábado (18), ordem de prisão preventiva contra um dos executivos acusados. Roney Nogueira, diretor de Relações Institucionais da BRF, desembarcava nesta madrugada no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando foi detido pelos agentes. 

A operação apontou frigoríficos envolvidos na venda ilegal de carnes. Entre os citados, estão gigantes do setor.

CONFIRA A LISTA DE EMPRESAS CITADAS NA OPERAÇÃO CARNE FRACA

Executivo preso 

Roney Nogueira aparece em várias escutas da PF falando sobre exportação de perus contaminados com a bactéria salmonela. Ele garante ao interlocutor que um fiscal iria resolver tudo com o Sipoa, departamento ligado ao ministério da Agricultura responsável pela inspeção.

“Ele [o fiscal] falou o seguinte: que vai tentar matar no peito ali no Sipoa para não levar para Brasília até que tenha uma nova supervisão. Aí depois tem o golpe, né?” 

O golpe, no caso, é o preço a ser pago pela liberação. Roney detalha que seria apoio financeiro a políticos na última eleição municipal.

“Ele pediu o seguinte: hoje, o Dinis está para assumir como superintendente, porque a bancada que cuida aqui do ministério da Agricultura é do PDT. E pra ele ficar como superintendente ou ficar no Sipoa, ele tem que dar resultado para a bancada do PDT. Ele pediu apoio da BRF aí nas eleições municipais.” 

Dinis Lourenço da Silva é o chefe do Sipoa em Goiás. A ajuda só viria se a certificação dos produtos fosse liberada.

“Primeiro eu vou deixar ele resolver. Aí sim, depois quando lá na frente, que eu vou ter que ter mais força de alguém. Eu digo, realmente quando a gente ia ser suspenso, tal, ele não, não.... Bateu no peito, não suspendeu o estabelecimento, fizemos auditoria, voltamos a exportar. Eu vou pedir sua ajuda, tá?”

Propina abasteceu PMDB e PP

De acordo com a Polícia Federal, o dinheiro da corrupção que permitia que empresas do setor frigorífico conseguissem certificações sanitárias do ministério da Agricultura, era dividido entre fiscais corruptos e políticos. 

A polícia descobriu que uma parte desviada do dinheiro abasteceu campanhas do PMDB e do PP, o Partido Progressista. 

Entre as empresas investigadas, estão a BRF, dona entre outras, das marcas Sadia e Perdigão e a JBS - maior processadora de proteína animal do mundo.

As investigações mostram que chegaram ser liberadas carnes podres e fora do prazo de validade. Também era utilizado ácido ascórbico nas carnes, que em grande quantidade é cancerígeno. Um frigorífico usava carne de cabeça de porco para fazer linguiça, o que é proibido. 


Esquema com ministério da Agricultura 

Segundo a investigação, os frigoríficos conseguiam vender as carnes contaminadas porque tinham apoio de funcionários do ministério da Agricultura. Fiscais agropecuários receberiam propinas para emitir os certificados. 

Para os agentes federais, ficou evidente que uma parte, e não todo o setor frigorífico e de fabricação de embutidos reaproveitava produtos e carnes vencidas, em desacordo com as normas sanitárias. 

A investigação da polícia federal durou dois anos. A Justiça decretou 26 prisões preventivas e 11 temporárias.

Resposta das empresas 

A BRF informou que houve um mal entendido em um áudio divulgado pela polícia em que funcionários discutem supostamente misturar papelão a embutidos. Segundo a empresa, eles falavam sobre a embalagem do produto. A BRF afirma que possui rigorosos processos e controles e diz assegurar a qualidade e segurança dos produtos. 

A JBS informa que não há menção a irregularidades sanitárias relacionadas à empresa e que nenhuma fábrica foi interditada. Afirma ainda que tem comprometimento com a qualidade dos produtos e que todos os anos 70 mil funcionários têm treinamento nessa área. 

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