Supremo divulga delação dos donos da JBS

Joesley Batista afirmou ter pago R$ 400 mi em propina nos últimos anos

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou no início da tarde desta sexta-feira (19) a íntegra da delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi. A medida foi tomada após o ministro Edson Fachin homologar os depoimentos, firmados com a Procuradoria-Geral da República (PGR). São cerca de 2 mil páginas. As oitivas foram gravadas em vídeo.

As delações atingem políticos de vários partidos.  Joesley Batista afirmou que ao longo dos últimos anos pagou cerca de R$ 400 milhões em propina, em troca do apoio dos parlamentares na aprovação de propostas de interesse da JBS.

Dilma e Lula


Os delatores afirmaram que os ex-presidentes petistas teriam recebido R$ 80 milhões mediante depósito em contas no exterior e sob intermédio do ex-ministro Guido Mantega.

Em nota, a assessoria da petista disse que as afirmações dos executivos "são improcedentes e inverídicas" e que Dilma nunca manteve contas no exterior. Segundo o comunicado, a ex-presidente jamais solicitou pagamentos ilegais para ela, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014, ou para qualquer outro candidato.


Joesley Batista também disse que o ex-ministro Antônio Palocci pediu R$ 30 milhões à campanha de Dilma Rousseff. O valor total não foi pago.

Pouco mais de R$ 1,8 milhão foi repassado a uma pessoa Samuel, outros 612 mil à empresa Hedge Assessoria e Consultoria,  R$ 1 milhão  para uma pessoa chamada Gilmarcy, e R$ 16 milhões em doações a diversos candidatos indicados por Antônio Palocci.

Em 2009, a Projeto Consultoria, do ex-ministro, prestou serviços à JBS sobre o mercado americano de frango. O negócio foi fechado por R$ 2 milhões de reais.

Aécio fala sobre impedir Lava Jato

Em um dos trechos da delação premiada, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) afirma que o presidente Michel Temer e o então ministro da Justiça Alexandre de Moraes, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, poderiam “organizar uma forma de impedir que as investigações (da Lava Jato) avançassem”.

Na conversa gravada com o empresário Joesley Batista, o tucano diz que é necessário “escolher dez caras”, se referindo a delegados que poderiam atuar para barrar a operação. Na sequência, Aécio explica como poderia ser feito o pagamento da propina de R$ 2 milhões para ele.

Termo de delação
(Termo de delação via BandNews FM)

Repasse a Serra

Segundo as primeiras informações, Joesley Batista diz ter repassado R$ 20 milhões à campanha do senador José Serra (PSDB) à presidência da República em 2010, parte de forma ilícita.

Segundo o empresário, a negociação teria sido feita com Luiz Fernando Furquim, amigo do político do PSDB.

Parte do valor - R$ 6 milhões - foi paga por meio de notas frias, com a falsa venda de um camarote no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. José Serra ainda não se pronunciou.

Cunha pediu R$ 30 milhões

O empresário afirmou que o deputado cassado Eduardo Cunha pediu R$ 30 milhões para a campanha à presidência da Câmara. Segundo ele, Cunha e seu operador no esquema de corrupção, Lúcio Funaro, eram os principais responsáveis de agilizar favorecimentos ao Grupo JBS junto à Caixa Econômica Federal, FIA/FGTS e Ministério da Agricultura.

Trecho da delação do depoimento do deputado na delação: “Pelo que eu entendi, ele saiu comprando um monte de deputado. Pra isso usou os 30 milhões”.

Marta Suplicy

O dono da JBS disse que Marta Suplicy pediu R$ 1 milhão em doação para a campanha ao Senado em 2010. Metade, segundo ele, foi paga de forma oficial e o restante em dinheiro vivo.

Marta teria voltado a procurá-lo na campanha à prefeitura de São Paulo no ano passado e indicou o marido dela, Márcio Toledo, como intermediário. Ainda segundo Joesley Batista, foram feitos pagamentos mensais de R$ 200 mil, também em espécie, em troca de possíveis negócios caso ela vencesse a disputa.


Compra de deputados 

Joesley Batista, revela a compra de pelo menos 5 deputados para votar contra o impeachment de Dilma Rousseff.


Cada um receberia R$ 3 milhões e a negociação foi intermediada pelo deputado João Bacelar (PR-BA). Parte do valor foi pago na casa do deputado em março de 2017.

Na época, o parlamentar era relator da CPI do CARF e teria atuado para evitar a convocação do ex-ministro Guido Mantega.

Ministros

Wesley Batista revelou que a JBS pagava propina de R$ 350 mil mensais para Gilberto Kassab, atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Já Joesley, disse ter pago R$ 6 milhões em propina ao ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB).A negociação teria sido feita após o processo final de aprovação de um empréstimo de R$ 2,7 bilhões da Caixa Econômica. Isso porque o vice-presidente do banco, Antônio Carlos, era indicado pelo PRB. O valor foi pago em seis parcelas.

Pereira negou que sejam verdadeiras as afirmações de Joelsey. "Estou à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e afastar qualquer dúvida sobre minha conduta", garantiu em nota.


Áudio

Nessa quinta-feira (18), após retirar o sigilo dos depoimentos, o STF divulgou o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em uma reunião com o presidente Michel Temer. A prova faz parte da investigação que foi aberta contra o presidente na Suprema Corte. Também foram citados os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Zezé Perrella (PMDB-MG), além da ex-presidenta Dilma Rousseff e o ex-ministro Guido Mantega.

O áudio tem cerca de 40 minutos. Na conversa, Temer e Batista falam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso na Operação Lava Jato.

audio
(Termo da delação via BandNews FM)

Em pronunciamento na tarde de ontem, Temer afirmou que não irá renunciar ao cargo e exigiu uma investigação rápida na denúncia em que é citado, para que seja esclarecida. "Não renunciarei. Repito, não renunciarei", afirmou.

Em seguida, em nota divulgada à imprensa, o Palácio do Planalto informou que o presidente não acreditou na veracidade das declarações de Joesley referentes ao suborno de um juiz e um procurador.


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