Lula: Não vou morrer antes de voltar ao governo

Ao lado de Dilma em evento no Rio de Janeiro, ex-presidente disse que Lava Jato se comporta como "partido político"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à Operação Lava Jato, ao juiz Sérgio Moro e disse que não irá "morrer antes de voltar a governar o país".

O petista afirmou ainda que quem compõe a força-tarefa da Lava Jato "é um partido político" e prometeu que fará a regulação dos órgãos de imprensa se for eleito em 2018. "Eles têm de saber que têm de trabalhar muito para não deixar que eu volte a ser candidato. Se eu for candidato, vou ganhar e fazer a regulação dos órgãos de imprensa", disse o ex-presidente ao lado da também ex-presidente Dilma Rousseff, que fez um pronunciamento antes dele.

O discurso de cerca de meia hora foi feito a uma plateia de estudantes, professores, políticos e militantes de esquerda no "Ato pela Reconstrução do Estado Democrático e de Direito", realizado na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na noite desta sexta-feira, 11 de agosto, dia que celebra a criação dos cursos jurídicos no Brasil.

"Pedalada nunca foi crime"

Lula também afirmou que quem "deu o golpe" é um advogado com sustentação da imprensa, em referência ao presidente Michel Temer (PMDB). "Nós não estamos vivendo num estado de direito", defendeu, sob aplausos.

Sobre as pedaladas fiscais, que levaram ao impeachment de Dilma, afirmou ser uma prática comum no Brasil e em vários países. "Isso nunca foi considerado crime", disse.

O ex-presidente também declarou que a Operação Lava Jato não é um processo judicial. "Quem compõe a força-tarefa é um partido político". Para ele, a Petrobras e a indústria naval estão sendo destruídas em meio a esse processo.

Moro

Lula também fez críticas a sua condenação pelo juiz Sérgio Moro e disse que não tem que provar a sua inocência. "Eles é que têm que provar a minha culpa. (...) A única coisa que posso oferecer a vocês é a minha inocência."

Ainda em relação a Moro, disse que nenhum réu pode estar acima da lei, mas nenhum juiz também está acima dela. "Tenho consciência que o Moro não é mais honesto que eu e que nenhum procurador ou delegado é mais honesto do que eu."

Para encerrar o discurso, bastante exaltado, Lula recorreu aos versos iniciais do Hino à Proclamação da República e comparou a uma frase muito repetida durante o evento: "Ao invés do 'Fora, Temer', temos que gritar 'liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós'", afirmou. "É o que nós estamos precisando neste país", concluiu.

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"Golpe de Estado"

Em seu discurso, Dilma fez duras críticas ao governo de Michel Temer: "Desmoralizaram 54,5 milhões de votos e tiram direitos da população", afirmou, conclamando a plateia a "resistir": "Nossa arma é a democracia. Temos que resistir, essa é a nossa arma".

A ex-presidente também disse que o debate sobre as regras para a eleição de 2018 fazem parte do "segundo tempo" do "golpe de Estado" de que disse ter sido vítima. "Eles não podem dar o golpe e deixar que em 2018 volte tudo atrás. O segundo tempo do golpe será extremamente perigoso."

"Injustiça"

A ex-presidente defendeu Lula: "A condenação de Lula é uma imensa injustiça porque ele é inocente. Não há provas, indícios nem bases de sustentação nesse denúncia e condenação", afirmou. Na avaliação de Dilma, a sequência de ataques a Lula é estratégia usada anteriormente pela ditadura: "Mantinham a gente na cadeia dividindo os processos. Eu mesma respondi a três", afirmou.

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