Dallagnol: sentença de Lula sai até o meio do ano

Procurador e coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato foi entrevistado pelo jornalista Ricardo Boechat; operação completa 3 anos

A primeira sentença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Justiça Federal de Curitiba deve sair até o meio do ano. A afirmação é do procurador e coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, entrevistado pelo jornalista Ricardo Boechat na BandNews FM e no Café com Jornal, no aniversário de três anos da operação. "Até o meio do ano teremos uma sentença, seja para condenar ou absolver", explicou.

Segundo ele, a verdade do Ministério Público Federal são as provas obtidas ao longo das investigações.

Sobre as penas tímidas dos delatores da Lava Jato, Deltan Dallagnol explica que, durante as negociações, era preciso "trocar um peixe por um cardume". 

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O procurador lembra a descoberta do setor de propina existente na Odebrecht e diz que, após os pedidos de Rodrigo Janot enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a população espera que políticos poderosos sejam condenados.

Deltan Dallagnol afirma ser contra o foro privilegiado e critica a intenção do Congresso de tentar anistiar o Caixa 2, que, segundo ele, tem uma pena muito baixa.

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O coordenador da Lava Jato diz não ser verdade de que haja uma perseguição ao PT, uma vez que há outros partidos sendo atingidos, como o PP e o PMDB. "O número de políticos sendo investigados do PP é maior do que o PT. E os do PMDB são equivalentes ao do PT. Esse é um discurso de vitimização do PT", explicou Dallagnol. "E político nunca é criminoso, é perseguido. Essa é a minha grande descoberta em três anos de Casa", ironizou.

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Sobre o envolvimento do PSDB, o procurador explicou que o motivo disso é que o partido não fazia parte da base aliada do governo - o PT na época. "Quando houve indicação de cargos, principalmente para a Petrobras, ninguém do PSDB era indicado", disse Dallagnol, que reforçou que todos os partidos serão investigados a partir dos próximos desdobramentos da operação.

Questionado sobre o Power Point do Lula, Deltan Dallagnol afirma que houve uma interpretação equivocada do episódio. Ele também deixa claro que a Lava Jato não vai se encerrar tão cedo. 

Power Point do Lula

Procurador Deltan Dallagnol explica episódio do Power Point


Defesa de Lula

Em nota, a defesa de Lula disse que Deltan Dallagnol "voltou a atentar contra a honra e a reputação do ex-presidente".

Segundo os advogados do petista, o procurador fez a "grotesca ilação de que o ex-presidente teria comandado ações criminosas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, apenas porque houve trocas de ministros na Casa Civil da Presidência da República."

Para os defensores, a conduta de Dallagnol  foi "incompatível com as garantias fundamentais asseguradas pela Constituição Federal e pelos Tratados Internacionais que o Brasil confirmou e se obrigou a cumprir".

"Entendemos esse show midiático como esforço supremo para por em pé uma denúncia vazia", dizia trecho da nota.

"A nova entrevista será levada aos procedimentos já em curso que objetivam o reconhecimento da suspeição do procurador e, ainda, o reconhecimento de sua responsabilidade civil pelos ilícitos praticados contra Lula. Também será levada ao conhecimento do Comitê de Direitos Humanos da ONU, para reforçar que Lula não está tendo no País direito a um julgamento justo e imparcial", afirmou a parte final do comunicado. 

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