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Atualizado em terça-feira, 5 de abril de 2016 - 09h21

Estudantes criam sensor de silêncio para HPS

Projeto da mostra de trabalhos do Cefet-MG capta os ruídos nas unidades de saúde e alerta para o excesso de barulho que pode prejudicar o ambiente
Barulho pode atrapalhar a recuperação dos pacientes  / Divulgação | UNICAMP Barulho pode atrapalhar a recuperação dos pacientes Divulgação | UNICAMP

Um projeto desenvolvido por três alunas do Cefet-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais) em Belo Horizonte é um exemplo de que ideias simples podem ser relevantes. As estudantes do curso técnico em Equipamentos Biomédicos se uniram para criar um sensor de silêncio para hospitais, iniciativa que venceu a última Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações da instituição.

 

“Tínhamos que desenvolver algo que fizesse a diferença. Não parece, mas o silêncio tem uma importância essencial dentro dos hospitais”, afirmou a estudante Raissa Reis, de 18 anos. Uma pesquisa realizada pelo hospital norte-americano Johns Hopkins apontou que 68% dos pacientes e cerca de 90% dos profissionais de saúde relataram excesso de rúido, o que pode prejudicar a recuperação dos enfermos.

 

A proposta surgiu após uma conversa entre as colegas Isabella Rodrigues, Xênia Ramos e Raissa. De acordo com as estudantes, o barulho é ainda maior nos centros cirúrgicos, UTIs e enfermarias. “O desenvolvimento do projeto foi complicado, já que tivemos de rever muitos conteúdos já estudados e outros conceitos que nunca tínhamos visto”, contou Isabella, também de 18 anos.

 

O objetivo do grupo é conscientizar as pessoas sobre a permanecerem em silêncio nos ambientes hospitalares. “No mercado existem os decibelímetros, que mede a intensidade sonora. Porém, não há algo similar voltado para essas instituições”, justificou Reis.

 

 

Menos de R$ 200

 

As alunas contaram com a orientação da professora Tálita Saemi Payossim Sono e utilizaram como base para o protótipo microfone, microcontrolador e painel visual com leads. “Após o tratamento do sinal captado pelo microfone, um microcontrolador converte o sinal analógico para digital e, assim, classifica o ruído como bom, médio ou ruim, de acordo com as regras para os hospitais”, explicou Raissa. 

 

Segundo a Associação das Normas Técnicas Regulamentadoras, o ruído má- ximo seguro para uma unidade de saúde está entre 35 e 45 decibéis. Caso o som esteja acima da faixa estebelecida, o equipamento emite um sinal visual. “Isso é um alerta para as pessoas de comportarem de maneira adequada”, disse Isabella Rodrigues. O custo total do protótipo foi inferior a R$ 200.

 

 

Próximo desafio

 

Depois da premiação no Cefet-MG, as alunas forma convidadas e apresentaram o projeto na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), em São Paulo. “Nunca imaginei que a nossa ideia fosse dar tudo isso”, comentou Rodrigues.

 

Agora, o grupo trabalha em melhorias do equipamento e espera que a propostas seja implantada nos hospitais. “A feira foi um incentivo não só para as meninas, mas também todos os alunos do Cefet, que viram a possibilidade de se destacar e ganhar prêmios. Além disso, eles aprendem a colocar em prática a teoria das salas de aula”, finalizou a Tálita Sono.

 

Para o direitor da AMMG (Associação Médica de Minas Gerais), Breno Figueiredo Gomes, além de incomodar, o excesso de barulho tumultua o ambiente hospitalar. “Os pacientes em recuperação precisam de tranquilidade e, definitivamente, o excesso de barulho não colabora com isto. A privação de sono prejudica bastante a recuperação de uma pessoa enferma. O descanso é fundamental”, enfatizou.

 

O especialista afirmou ainda que muitas vezes falta conscientização até dos próprios profissionais da saúde. “O dia-a-dia faz o profissional se esquecer da importância do silêncio na recuperação dos pacientes. Conversas altas e risadas ainda são bastante comuns. O dispositivo pode ajudá-los a evitar esse comportamento”, finalizou Gomes.