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Atualizado em segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 - 14h34

Mesmo com alta na gasolina, frota com GNV ainda é pequena

Sucessivos aumentos no preço dos combustíveis estão ajudando a alavancar o uso de gás natural veicular em Minas Gerais, mas demanda ainda não chegou ao grande público, ficando limitada a motoristas particulares e taxistas. Falta de oferta em postos também prejudica
Oferta de postos que vendem o gás veicular em Belo Horizonte ainda é pequena / Oferta de postos que vendem o gás veicular em Belo Horizonte ainda é pequena

Sempre atento ao preço da gasolina nas bombas dos postos, o taxista Reinaldo Gouveia, 43 anos, não teve dúvidas quando viu o preço do combustível ultrapassar a marca dos R$ 4: migrou para o GNV (Gás Natural Veicular) e não se arrepende. “Nunca se sabe quanto vai estar o preço da gasolina amanhã, e com o gás eu posso rodar mais e gastar menos. Valeu a pena para mim”, justifica. De tempos em tempos, quando o preço da gasolina dispara, pessoas como Reinaldo costumam optar pela conversão, principalmente desde a que nova política de preços da gasolina foi adotada pela Petrobras. Porém, esses fazem parte de um grupo restrito de motoristas quando se considera o quanto o GNV – antes visto como uma alternativa real para o uso da gasolina – ainda está longe de ser adotado pelo grande público.

 

Mesmo com esse crescimento, impulsionado por pessoas que querem escapar dos aumentos na gasolina, a frota de carros movidos a gás natural ainda é pequena em Minas Gerais. Segundo dados do Detran-MG, veículos com GNV representam apenas 2,9% da frota em circulação no Estado (30.354).

 

Segundo a Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais), a procura pela conversão ao GNV chegou a ter um pequeno aumento desde o meio do ano passado, quando o preço médio da gasolina chegou a R$ 3,626 em Belo Horizonte. Mas a demanda seguiu baixa: de abril a dezembro de 2017 foram 330 novos veículos convertidos para uso do gás natural como combustível no Estado. Desses, cerca de 70% são taxistas, motoristas de aplicativo, frotistas e representantes comerciais.

 

Para o professor do curso de engenharia mecânica da UFMG, José Eduardo Mautone, a falta de investimentos nos últimos anos acabou gerando desconfiança nos motoristas menos antenados ao assunto. “No passado, o uso do GNV foi amplamente incentivado pelo governo e isso chegou a trazer um resultado naquele momento. Mas houve a crise de energia no Brasil e o uso do gás natural nas termelétricas passou a ser prioridade nas vendas, assim como a demanda em alta na indústria. Com isso, a política adotada no começo foi descontinuada, ajudando a retrair a quantidade de veículos com o GNV”, explica o professor.

 

Em 2016, de acordo com a Gasmig, a participação do GNV no volume de vendas da companhia foi de apenas 3,05%. No mesmo período, a indústria foi a que mais consumiu o gás fornecido pela empresa (73,39%), seguido pelas termelétricas (20,30%). 

 

Fora dos planos

 

Para o professor Mautone, a falta de um veículo criado especialmente para isso, assim como as regras para o uso e os danos causados à mecânica do automóvel, afastam o grande público do gás natural. “O motorista comum não está habituado a passar por uma inspeção anual, como é exigido para quem utiliza o gás veicular. Além disso, as montadoras, que não se sentiram seguras para abraçar essa causa, desistiram de criar opções de veículos adaptados para o gás”, diz. O último veículo popular a sair de fábrica com o kit instalado foi o Fiat Siena Tetrafuel, que começou a ser comercializado em 2007 e saiu de linha no ano passado.

 

A solução é a instalação dos kits de gás veicular. Mas é aí que o processo se afunila. Entre as principais desvantagens do uso do GNV, apontadas Mautone, estão a perda de potência no motor – cerca de 30% – e o desgaste causado no veículo, uma vez que a engenharia foi desenvolvida para outros combustíveis. Além disso, existe a perda de espaço no porta-malas por causa dos cilindros de gás, que são instalados no compartimento.

 

“Os motoristas que optam pela até conseguem uma economia, mas o investimento na compra do kit de adaptação demora até ser recuperado. Valendo a pena, de imediato, apenas para quem roda bastante”, explica.