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Atualizado em segunda-feira, 2 de outubro de 2017 - 09h24

31% dos municípios estão em situação de emergência

Mais de 1,8 milhão de pessoas são afetadas pela crise hídrica no Estado; chuva vem com mais intensidade em novembro

O longo período de estiagem em Minas Gerais – em alguns pontos do Estado não chove há quase cinco meses – levou 266 municípios a decretarem situação de emergência. O número equivale a 31% de todas as cidades do Estado, a maioria localizada nas regiões Norte e Vale do Jequitinhonha. De acordo com o Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas, mais de 1,8 milhão de mineiros já são afetados pelos problemas de abastecimento hídrico. 

 

A volta do período chuvoso traz a esperança de dias melhores. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê que as precipitações serão mais significativas entre novembro, dezembro e janeiro. “No início vai ser dentro da média histórica. Neste mês, a expectativa é de pancadas mais isoladas”, informou. Na região Sul, Zona da Mata e Triângulo Mineiro, as chuvas devem ficar acima do esperado para o período.

 

Racionamento

Cidade com mais de 90 mil habitantes, Paracatu, na região Noroeste de Minas, não tem registro de chuva desde o dia 20 de maio. “Desde setembro, há racionamento. Os bairros altos são os mais prejudicados, sendo que muitos só recebem água através de caminhão-pipa. Declaramos situação de emergência”, contou o secretário de Meio Ambiente do município, Igor Pimentel. O ribeirão Santa Isabel, que abastece Paracatu e faz parte da bacia do Rio São Francisco, tem pontos em que praticamente secou. “Em alguns momentos não é possível nem captar água. A escassez está muito maior, nunca passamos por uma situação assim”, disse. O problema se repete em outras 40 cidades. 

 

Para o ambientalista Apolo Heringer, a crise hídrica de Minas é macro e sistêmica. “Se for observar o problema, entramos na questão do solo, que sofre com o desmatamento, o agronegócio e a mineração. Isso aumenta o assoreamento dos rios e também afeta a disponibilidade de água subterrânea, responsável por manter o nível dos cursos nos períodos de seca”, disse.

 

Situação de emergência

Quando um prefeito decreta situação de emergência, a solicitação é analisada pela Defesa Civil. Aceita, a cidade recebe verba para diminuir os efeitos da seca sobre a população, como a contratação de caminhões-pipa.

 

“A escassez está muito pior, nunca passamos por uma situação assim. Desde setembro, há racionamento em Paracatu. A vazão do ribeirão está baixíssima”
Igor Pimentel, secretário de Meio Ambiente