Brasileira ouve histórias de amor pelo mundo

Uma ação para gerar um "curto-circuito" na realidade urbana fez a artista escutar as pessoas no meio da rua

Na contramão da poesia do cantor Criolo, em que "não existe amor em SP", uma artista brasileira parou exatamente para ouvir histórias de um sentimento que sim, existe, na cidade mais populosa do país – são 11 milhões de pessoas vivendo atualmente na capital paulista. Mas o trabalho que é realizado desde 2003 e que já rompeu as barreiras do mundo (fisicamente), ficou conhecido mesmo agora, em 2012, após uma foto ter sido compartilhada por milhares de pessoas no Facebook.


"Fiquei surpresa ao ver tantos compartilhamentos e ainda me surpreendo ao ver o alcance das redes sociais", afirmou a artista Ana Teixeira, de 54 anos. A imagem publicada na internet mostra a artista tricotando um cachecol vermelho, duas cadeiras e uma placa com os dizeres: "Escuto histórias de amor".

O objetivo, segundo ela, é simplesmente ouvir as pessoas que quiserem falar e, assim, colocar nas ruas uma oferta diferente, que cause o que ela mesma chama de "curto-circuito" na realidade. Pode ser que você esteja andando pela avenida Paulista e dê de cara com o cenário.

Mas a população do Chile, Alemanha, Itália, França, Espanha, Canadá, Portugal e Dinamarca também teve a possibilidade de compartilhar suas histórias.

Reação

A artista afirma que as reações das pessoas são bastante semelhantes, embora a cultura mude muito de país para país. "Sempre há os que passam e não olham; os que passam e, visivelmente, estranham; os que param e perguntam o que é; e, por fim, os que aderem e sentam-se para contar suas histórias", explicou Ana.

"Fazer ações nas ruas é sempre uma experiência forte. E é sempre diferente. Posso repetir a mesma ação dezenas de vezes e ela nunca é igual", completou.

A inspiração para criar a ação, assim como todas as obras da artista, pode ser “uma frase lida, uma reflexão anotada, um conceito, uma pergunta, uma dúvida, um questionamento, tudo isso pode ser um disparador”.

Mas para quem espera não falar mas, sim, ouvir as histórias que Ana já escutou por aí vai ficar um pouco decepcionado. “As histórias de amor não podem ser ouvidas. Ficam guardadas no barulho das ruas e na trama do tricô vermelho”.

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