Mergulhadores colocam cocaína em navios

Máfia italiana contratou profissionais para colocar a droga no casco de navios que saiam do Porto de Santos para a Europa; PF descobriu esquema

A máfia italiana usa mergulhadores para colocar cocaína em navios que seguem do Brasil para a Europa. A descoberta foi feita durante investigações da Polícia Federal sobre o uso de portos pelo crime organizado.

Os mergulhadores profissionais escondiam os pacotes de drogas no casco e nas partes submersas das grandes embarcações. Duas malas com 44 quilos de cocaína foram encontradas boiando num rio, em Vitória do Jari. Elas tinham como destino a Bélgica.

Os sérvios, que escaparam, fazem parte de um grupo responsável por enviar em um ano uma tonelada de cocaína para a Europa a partir do Porto de Santos, o maior da América Latina. A principal compradora era a organização mafiosa italiana N'Dranghetta.

No Brasil, os traficantes subornavam funcionários de prestadoras de serviço no porto para colocar malas com drogas em contêineres para exportação. Segundo a investigação, uma oficina mecânica em campinas no interior de São Paulo servia de armazém para a cocaína, que depois seguia para Santos em fundos falsos de carros e caminhões. A maior parte ia para o Porto de Gioia Tauro, na Calábria.

As polícias brasileira e italiana prenderam parte da quadrilha no mês passado. Entre eles um cidadão chileno que vivia em uma casa em Praia Grande, litoral de São Paulo. Ele fazia a conexão entre os fornecedores de cocaína bolivianos e os compradores italianos.

Para o negócio criminoso se concretizar, não bastava apenas o embarque da droga nos navios. A máfia calabresa só pagava os traficantes brasileiros depois do recebimento da cocaína na Europa. A investigação das polícias dos dois países, mantida em sigilo por um ano, provocou um abalo na relação comercial entre as quadrilhas.

Os pagamentos era feitos por pessoas que entravam no Brasil como turistas. Eram organizados pela brasileira Maria Stocker, que foi presa na Espanha. Imagens mostram uma funcionária de Maria entregando um pacote que, segundo a polícia, continha US$ 100 mil para o intermediário chileno num shopping na zona oeste da capital paulista.

As investigações apontaram o envolvimento de mais quadrilhas agindo a partir do Porto de Santos. Imagens gravadas pela Polícia Federal em outra operação mostram o encontro de três traficantes.

Sem equipamentos suficientes para fiscalizar cada um dos quase 10 mil contêineres que entram e saem diariamente do Porto de Santos, o principal canal de exportação do país virou palco de uma difícil caçada para deixar de ser também um grande entreposto do tráfico de drogas.

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