Abrigo para haitianos é fechado no Acre

Nos últimos 3 anos, mais de 20 mil imigrantes passaram pelo abrigo na Brasiléia; estrangeiros podem vir a São Paulo

O fechamento do abrigo de haitianos na cidade de Brasileia, no Acre, pegou de surpresa os beneficiários e ONGs ligadas à área. Até o próximo sábado, todos os imigrantes que estavam no local, na fronteira com a Bolívia, vão ser transferidos para um centro de exposições na capital do estado, Rio Branco. De lá, eles serão levados para Porto Velho, em Rondônia, de onde poderão partir para São Paulo. No início do mês, o abrigo já teve de ser esvaziado por causa da cheia do Rio Madeira.

Nos últimos três anos, mais de 20 mil haitianos passaram pelo abrigo na Brasileia. A coordenadora do programa de política externa da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, que acompanha o caso desde o início, diz que a solução encontrada pelo governo do Acre é paliativa. “Por exemplo, a cidade de São Paulo possui algumas iniciativas da sociedade civil, que, com muito esforço, acolhem os imigrantes que chegam na cidade sem condições de se instalar. Elas já estão lotadas e nós temos conversado com algumas parceiros nessa área, que dizem: ‘olhe, não tivemos nenhum reforço preparatório antes da vinda desses ônibus”.

A Conectas questiona o fato de a decisão tomada não resolver a situação dos haitianos. Camila afirma que o assunto já vinha sendo tratado há muito tempo. “O governo federal e o governo do Acre estavam negociando uma solução que fosse não um remendo, mas mais assim a longo prazo. Esse diálogo já estava se arrastando há, pelo menos, oito meses. E, no fim, o governo do Acre decidiu, de forma exclusiva, pelo fechamento do abrigo. Então, uma série de questões ficam pairando no ar sobre o que vai ser feito para ocupar as lacunas de proteção geradas pelo fechamento do abrigo em Brasileia”.

No ano passado, a equipe da Conectas esteve no abrigo da Brasileia e denunciou as péssimas condições do local, onde 800 imigrantes chegaram a dividir um espaço com capacidade para 200 pessoas.

A ONG denunciou a situação ao governo federal e recebeu a promessa de que uma força-tarefa iria facilitar o visto humanitário aos haitianos, mas nada foi feito.

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