Ônibus: MP vai investigar ação da PM em greve

População estaria dizendo que policiais não têm impedido bloqueio de vias; decisão judicial obriga PM a garantir o direito de ir e vir

A promotoria do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) pretende questionar a Polícia Militar sobre a atitude da corporação diante da onda de paralisação de rodoviários, que tem bloqueado, com ônibus, vias da capital paulista. Alguns cidadãos estariam reclamando que os agentes não estariam agindo contra esses bloqueios, disse, à Rádio Bandeirantes, o promotor Saad Mazloum. “É lamentável essa sensação”, comentou Mazloum. “Mas só o inquérito e a resposta do comandante da PM [Benedito Meira, da Polícia Militar] poderá dizer o que está sendo feito ou por que não está podendo fazer algo”.

Uma decisão judicial de setembro de 2013 permite que a PM adote medidas para garantir o direito de ir e vir das pessoas em caso de manifestações ou greves. Segundo Mazloum, caso isso não aconteça, a corporação pode ser acusada de “omissão” ou “improbidade administrativa”. Procurada pela Rádio Bandeirantes, a Polícia Militar ainda não se manifestou.

O promotor deve pedir que agentes da prefeitura documentem a situação com fotos e outros recursos, no local onde estão sendo feitos bloqueios, para instruir o inquérito. “Para ver se a polícia está cruzando os braços e adotar as medidas cabíveis”, conta Mazloum. 

Veja imagens do segundo dia de paralisação:

O MP-SP também investiga quem está na organização dos atos de paralisação, que Mazloum considera como criminosa. “É o que nós temos visto. [Os rodoviários envolvidos] acabam bloqueando avenidas inteiras. Em relação a esses atos criminosos, o MP está acompanhando e adotará as medidas contra os autores desses delitos”.  

O sindicato que representa o setor, o SPUrbanuss, também será notificado. “O sindicato é o responsável e o presidente [da instituição] pode vir a responder criminalmente também”, relata o promotor, que pretende analisar a situação, caso se confirme, como o SPUrbanuss diz, que ele não tenha relação com a paralisação. “Claro que tudo isso vai ser avaliado, através de inquérito. Se se apurar que é o sindicato ou alguém pelo sindicato, ele vai responder sim. Agora, isso depende de investigação”. 

Ao Café com Jornal, um trabalhador contou o drama que enfrenta com a paralisação. Acompanhe:

Paralisação prejudica paulistanos:

Passageiros não conseguem embarcar na Rebouças:

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