Refugiado sírio sonha em abrir restaurante no Brasil

Talal Al-tinawi deixou a Síria, mergulhada em uma sangrenta guerra civil, para começar uma vida nova em São Paulo

Desde 2013 no Brasil, o refugiado sírio Talal Al-tinawi tinha uma vida confortável em seu país. Trabalhava como engenheiro mecânico e tinha recursos para sustentar sua esposa, Ghazal, e seus filhos Riad e Yara. Com a chegada da guerra civil na Síria, que dura quatro anos e já deixou mais de 300 mil mortos, Talal precisou pedir refúgio, principalmente porque, devido ao fato de possuir o nome idêntico a uma pessoa que tinha problemas com o governo, foi preso injustamente. 

“Fiquei três meses e meio na prisão. Foi muito ruim, muito difícil não só para mim, mas para minha família também. Eles ficaram sem notícias por um tempo, só depois de três meses consegui fazer contato com a minha esposa”, recordou. 

Veja mais:

Escritora que nasceu em campo de refugiados investiga história da família

Congolês fala sobre preconceito e sobrevive dando aulas de francês 

Quando deixou o presídio, Talal se refugiou com a família no Líbano, onde a situação também é delicada. Lá, ao menos, conseguiram se planejar e procurar um país seguro para ir. “Comecei a procurar pelas embaixadas de países que pudessem nos receber”, contou. “Tentamos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa. Todos pedem tantos documentos que o pedido de refúgio se torna impossível.” 

Naquela mesma época, o Conare autorizou a concessão de visto brasileiro para refugiados sírios que tentavam escapar da guerra. Recentemente, o órgão prorrogou essa autorização, em virtude do agravo do conflito - intensificado também pelo avanço do Estado Islâmico na região. 

“Eu gosto do Brasil, quero ficar aqui”, ressalta Talal que, para se manter no país, começou a cozinhar os pratos típicos da Síria. A ideia partiu de voluntários do Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado), que o ajudaram desde o início. “Descobri que os brasileiros gostam de comida árabe e gostam de novidades, então sempre tento fazer receitas novas.” 

O sonho do refugiado agora é abrir um restaurante em São Paulo, onde mora, para ampliar o negócio que, por enquanto, é feito por encomendas através da sua página do Facebook. Para alcançar essa nova etapa, ele criou uma “vaquinha” online que, na semana passada, atingiu a meta de R$ 60 mil. 

Na casa de Talal, a família toda ajuda no preparo das comidas por encomenda e também no cuidado do mais novo membro do clã: a pequena Sara, brasileira da prole e símbolo da esperança de quem precisou deixar tudo que tinha para salvar a própria vida. 

Compartilhar

Deixe seu comentário