Drag queens se unem para ajudar moradores de rua

Morte de amigo incentivou iniciativa de dez artistas do Distrito Federal

É noite do segundo dia de inverno em Brasília. Um carro se aproxima do Terminal Rodoviário do Plano Piloto, onde moradores de rua buscam refúgio das baixas temperaturas. Do veículo sai um grupo de mulheres maquiadas e bem vestidas. Elas chamam mais atenção pelo que carregam, do que pela aparência.

Em sacolas, mais de mil doações em agasalhos começam a ser distribuídas para a fila que rapidamente se forma no terminal. As roupas e as mantas entregues são a esperança de quem enfrenta uma insegurança diária, que aumenta com a chegada do frio. 

A descrição acima é da primeira ação de um grupo formado há poucos meses. Batizado de Montadas Para o Bem, o coletivo reúne dez drag queens da boate Victoria Haus, da capital federal, que, como o próprio nome sugere, se uniram para fazer boas ações. 

“Há pouco tempo atrás, nós perdemos um amigo, que tralhava com a gente no backstage da boate. Isso fez com que nós pensássemos mais na ajuda ao próximo”, conta a artista Laurie Blue em conversa com o Portal da Band

“Além de ajudarmos, também estamos mostrando que a drag queen está além dos palcos. Ela pode estar no palco brilhando, fazendo show e divertindo plateias, mas também pode estar na rua mostrando que é um ser humano, e que isso independe de sexualidade ou qualquer outra coisa”, acrescenta. 

montadas para o bemArquivo pessoal

Além de Blue, também integram o grupo Carrie Myers, Dita Maldita, Gabe Lucke, Leona Luna, Mary Gambiarra, Pikinéia Minaj, Poppy Moore, Savanna Berlusconny e Xantara Thompson. Na primeira ação do coletivo, em que estavam presentes Laurie, Poppy, Pikinéia, Mary e Carrie, a recepção foi positiva e surpreendente. 

“Eles [moradores de rua] nos agradeceram muito. Disseram que doações de agasalho são raras no inverno, e é justamente quando eles mais precisam”, relata Laurie. “O momento foi de gratidão. Teve abraço, tiveram muitas histórias bacanas que escutamos e que nos emocionaram também.” 

Repercussão 

Uma das integrantes do coletivo de drag queens, Laurie Blue revelou que nenhuma delas esperava uma repercussão tão grande depois da ‘estreia’ do grupo nas ruas. “Montamos esse projeto pensando que somente nossos amigos próximos iriam ajudar”. Além dos amigos, as montadas do bem chamaram atenção de brasilienses, moradores de outros estados do país e também dos veículos de mídia.

Até mesmo na internet, onde não é difícil se deparar com discursos de ódio, o feedback foi bom. “Sempre tem quem critica, né?”, diz Blue. “Mas, digamos que 90% gostaram e elogiaram a nossa iniciativa. Isso é muito importante e serve como incentivo para continuarmos.” 

Próximas ações 

As montadas para o bem ainda farão mais uma ação para doar agasalhos antes de iniciar uma nova etapa. No dia 29 de julho, graças a uma parceria com a boate Victoria Haus, haverá outra coleta de doações, que serão entregues no início do mês de agosto. 

Também em agosto, o grupo começa a receber doações de alimentos, cuja previsão de entrega é para o mês de setembro. Além de Brasília, as artistas estudam realizar a distribuição em cidades satélites. Os detalhes estarão na página do Facebook do grupo. 

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