Vereador negro quer acabar com cotas e feriado

Fernando Holiday disse que suas propostas são de combate ao racismo

O vereador eleito Fernando Holiday (DEM) nem chegou a assumir o cargo na Câmara Municipal de São Paulo e já está levantando calorosas discussões nas redes sociais com algumas das propostas que pretende levar para o legislativo.

Em uma publicação na quinta-feira (3) na sua página do Facebook, o vereador eleito – que é membro do Movimento Brasil Livre (MBL) – afirmou que, entre as “primeiras medidas” como parlamentar, irá lutar para “combater o vitimismo”, “acabar com as cotas raciais em concursos públicos municipais” e “revogar o dia da consciência negra em São Paulo”, celebrado no dia 20 de novembro.

A postagem, que recebeu mais de quatro mil comentários, dividiu opiniões. Muitos internautas (em sua maioria, brancos), elogiaram as propostas. “Imagino que não foi nada fácil chegar aí onde está, mas se foi possível pra você, é possível para todos outros! Meus parabéns, precisamos de pessoas como você para unificar nosso país”, escreveu um deles.

Diversos comentários, porém, repudiaram as ideias de Holiday. “Não sei que mundo tu vive, mas as cotas são conquistas sociais, não vitimismo. Eu estudei em faculdade pública e sabe quantos negros tinham lá? Três, em mais de cinco mil alunos. Hoje estou concursado; sabe quantos negros vi no curso de formação? Nem sete. Em um país em que mais da metade da população é considerada negra/parda isso é no mínimo estranho. As cotas não resolverão todos o problemas mesmo, mas já é uma forma de melhorar o acesso e/ou dar oportunidades a aqueles que foram oprimidos por tanto tempo”, ressaltou outro.

Combate ao racismo

Diante de tamanha repercussão, o vereador eleito se manifestou e explicou melhor suas ideias para o mandato de quatro anos. Ideias, segundo ele, que, na verdade, combatem o racismo.

“Estranha essa revolta generalizada contra algumas das minhas propostas”, escreveu Holiday. “Propor o fim das cotas raciais em Concursos Públicos Municipais significa que São Paulo não pode beneficiar seres humanos em detrimento de suas características biológicas, significa que somos um país miscigenado onde todos devem ser tratados igualmente perante a lei. Isso sim é combater o racismo.”

Já sobre propor a revogação do dia municipal da Consciência Negra, para o vereador do DEM, “significa alertar a sociedade de que não devemos nos dividir em classificações e que devemos preservar a consciência humana, independente de etnia ou cor da pele. Isso sim é combater o racismo”, explicou.

Atualmente, alguns municípios brasileiros comemoram a data com feriado. A capital paulista é um deles. Existe um projeto de lei (PL 296/2015) que determina que o dia nacional da Consciência Negra seja feriado em todo o território brasileiro. A proposta aguarda parecer do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.

A reportagem entrou em contato com Fernando Holiday para saber se ele acredita que terá apoio na Câmara para aprová-las. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não houve retorno. 


Crime eleitoral

Logo após as eleições, Fernando Holiday se envolveu em sua primeira polêmica. O Ministério Público Eleitoral de São Paulo pediu a instauração de um inquérito policial contra ele para apurar a suspeita de crime eleitoral
 
Segundo o promotor eleitoral José Carlos Mascari Bonilha, Holiday fez campanha em sua página do Facebook no dia da eleição. “A lei eleitoral não só considera proibida toda espécie de propaganda no dia de eleição como também a enxerga como conduta criminosa”, explicou, na ocasião, ao Portal da Band. Nas redes, o vereador eleito disse que vai recorrer da decisão. 

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