Do barulho dos tiros ao silêncio do luto; a tragédia em Suzano abalou os moradores

Município de SP foi tomado pelo clima de pesar após o tiroteio na Escola Estadual Raul Brasil, que deixou dez mortos

O estouro dos tiros, os gritos dos alunos e pouco depois dos parentes, desesperados por informação. Todo o barulho dos primeiros momentos do atentado foi tomado pelo silêncio.

Nos arredores da Escola Estadual Raul Brasil, bloqueios da polícia mantiveram os moradores da região afastados - eles acompanharam de longe o trabalho das autoridades. Um deles, sob condição de anonimato, admitiu: “Estou aqui porque sou curioso mesmo”.

Os rostos disfarçavam a tristeza em presenciar o massacre que deixou 10 mortos. O bairro e a cidade foram tomados por um clima de pesar e solidariedade – todos conheciam alguém que estudava ou havia passado pela Raul Brasil.

Casas e comércios do entorno abriram as portas para receber os alunos, que fugiam da escola após o tiroteio. A mecânica de José Santana, de 68 anos, abrigou oito adolescentes. “A gente vê essas coisas, mas nunca acha que vai acontecer tão perto”, contou o mecânico.

Moradores de uma casa socorreram ao menos dez estudantes, que correram para a rua de trás, para fugir da correria. “Estavam em pânico. Oferecemos água e comida e ajudamos para que falassem com as suas famílias”, disse a estudante Mayara Diaciunas, de 22 anos.

Em um dos bloqueios, a aposentada Maria Antônia Maia, de 63 anos, representava o neto, Pedro Henrique, de 15 anos, que faltou à aula e evitou o atentado. “Ele perdeu amigos, está muito traumatizado. A gente fica sem confiar que podemos deixar nossos filhos e netos na escola com segurança”, desabafou.

Menos de um quilômetro do local, a entrada da concessionária – o dono, Jorge Antonio de Moraes, tio de Guilherme Taucci, foi morto pelo sobrinho antes da dupla chegar ao colégio – tinha portões fechados e um aviso de luto.

No início da noite, os moradores deram as mãos e rezaram pelas vítimas da tragédia em uma missa improvisada na rua. O muro da escola ganhou flores brancas, velas e os nomes dos oito assassinados.

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