Prisão de segurança máxima no RN quase é palco de fuga cinematográfica

Na penitenciária de Mossoró, um detento conseguiu se esgueirar por uma portinhola usada para fornecer comida

Na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, estão alguns dos bandidos mais perigosos do País, entre eles, integrantes da cúpula da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que foram transferidos para presídios federais em fevereiro do ano passado em um forte esquema de segurança.

Um dos líderes do PCC, condenado a 86 anos de cadeia, colocou em xeque a vigilância da penitenciária, que nunca registrou uma fuga. O caso, que teve uma inusitada manobra de contorcionismo, aconteceu no fim de 2019, mas estava sendo mantido em sigilo.

Em dezembro, José de Arimatéia Faria, conhecido como "Pequeno", se aproveitou de seu porte franzino e conseguiu se esgueirar por uma portinhola, usada para fornecer comida e para que algemas sejam colocadas e retiradas dos detentos.

O criminoso então pegou uma espingarda calibre 12 deixada por agentes em uma mesa e partiu para cima dos carcereiros. Os funcionários contaram em depoimento que Pequeno tentou disparar, mas a arma falhou e ele acabou imobilizado.

Depois da tentativa de fuga, os protocolos de segurança na unidade foram revisados.

A punição para Pequeno foi a prorrogação da permanência no presídio federal. Em geral, detentos permanecem nessas cadeias durante um ano. Agora, ele deverá ficar lá pelo menos até 2023.

"É inadmissível imaginar que um presídio que foi construído para proporcionar segurança máxima, que tem toda uma estrutura própria - restrição no ir e vir interno, cenas individuais, restrições ao banho de sol e visitas íntimas, acontecer uma situação dessa", diz Adriana Martorelli, professora de gestão penitenciária, ao Jornal da Band.

"Por todo o grau de investimento público, de capacitação que os funcionários recebem, isso não deveria ter acontecido; é preciso uma apuração bem severa”, completa.

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