Sociedade brasileira é homofóbica, diz socióloga

Pesquisa mostra que 49% da população reprova união homoafetiva, mesmo que ela tenha sido reconhecida pelo STF

Apesar da união homoafetiva ser reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), 49% dos brasileiros são contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, segundo pesquisa da Hello Research. Realizado com mais de mil pessoas, em 70 cidades, o levantamento ainda mostrou que 30% são a favor do casamento gay, enquanto 21 % declararam-se indiferentes.

A subdivisão do estudo revelou que, dentro da parcela totalmente contrária à união entre pessoas do mesmo sexo, 63% pertencem à classe A e B - apenas 23% desse espectro social é totalmente a favor à união homoafetiva. A rejeição também é alta entre a população pertencente à classe C, em que 42% são contrários. Na base da pirâmide, 39% da população das classes D e E também rejeitam essa união.

Para a socióloga Carla Cristina Garcia, da PUC-SP, não há nenhuma surpresa no comportamento em relação ao tema. “A sociedade brasileira é altamente conservadora, terrivelmente machista e completamente homofóbica”, afirma. “Essa ideia da gente ser mais liberal é colonialista, de achar que não tem pecado do lado de baixo do Equador, mas que nunca fez o menor sentido com a realidade de qualquer um de nós.”

Ela aponta que o nível de desaprovação do casamento gay pode ser ainda maior, se levarmos em conta os 21% que declararam não ter um postura clara. “Acho que esses indiferentes são assim: desde que não seja com o meu filho”, analisa.

A resistência que a união homoafetiva enfrenta no Brasil ficou bastante evidente nesta semana, após a empresa de cosméticos O Boticário divulgar uma campanha de Dia dos Namorados mostrando diferentes tipos de casais, entre eles homossexuais, trocando carícias e presentes.

Após a peça ir ao ar, diversas manifestações contrárias foram feitas na página oficial da marca no Facebook, onde o vídeo  chegou a acumular muito mais sinais de desaprovação que “curtidas” – após intensa movimentação nas redes sociais, a avaliação se inverteu.

Sobre a campanha, a socióloga Carla Cristina aponta que a propaganda “não tem nada de fofa”, mas é direcionada a um nicho de mercado. “Nunca se esqueça que é uma empresa que está vendendo perfume, não um movimento social”, justifica.

Ela destaca, porém, que o fato de uma peça publicitária com esse teor ser veiculada no Brasil é um conquista do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). “Até poucos anos atrás, por mais que isso fosse um nicho de mercado em que se pudesse ganhar muito dinheiro, provavelmente as empresas não investiriam em propagandas com casais homoafetivos como protagonistas.”

Por isso ela, afirma que grandes eventos que destacam a causa LGBT, como a Parada Gay deste domingo (7), ainda são extremamente necessários, assim como as propagandas contra o machismo. “Não há machista que não seja homofóbico, faz tudo parte da cultura heteronormativa”, finaliza.

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