Policial grava vídeo de apoio a haitianos hostilizados

Além de ir ao local de trabalho dos haitianos, na cidade de Canoas, Leonel registrou também um boletim de ocorrência na última sexta-feira (05)

O escrivão da 20ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, Leonel Radde, gravou, na segunda-feira, um vídeo em que manifesta apoio aos haitianos hostilizados por um homem chamado Daniel Barbosa em uma publicação divulgada em redes sociais

Além de ir ao local de trabalho dos haitianos, na cidade de Canoas, Leonel registrou também um boletim de ocorrência na última sexta-feira (05). “Vi o vídeo através de uma página contrária à manifestação, no Facebook. Ali, constatei um delito grave, de discriminação, e decidi fazer um B.O”, afirmou o policial ao Portal da Band.

Segundo Radde, Daniel e o outro participante do vídeo, identificado como Alex, podem responder ao crime previsto no artigo 20 da lei 7.716/89, de “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. 

A pena prevista para o crime é de um a três anos de prisão, mais multa. Segundo o escrivão, porém, por terem publicado o vídeo em um meio de comunicação, os investigados podem ser condenados a até cinco anos de reclusão. 

Segundo a polícia gaúcha, Daniel tem passagem por outros crimes como porte ilegal de arma, roubo, injúria, entre outros. 

O vídeo

Em um vídeo que registrou o ato de preconceito, Daniel aparece ironizando o trabalhador haitiano, que não revida.

“Você sabe quantos mil brasileiros perderam o emprego no mês passado? Você é um cara de sorte, irmão”, afirma o homem enquanto o frentista abastece um carro. “Aqui tem um dos milhares de haitianos trazidos pelo governo comunista da Dilma Rousseff”, continua.

“Você está de parabéns, irmão, é muito competente. Aqui no Brasil são tudo (sic) incompetente, você entendeu isso?”, provoca o homem. 

Na sequência ele pergunta ao haitiano se ele recebeu treinamento militar. “Você não conhece nada de arma, nada de treinamento de guerrilha?”, insiste o agressor.

Após receber apenas um “não” do frentista, ele decide perseguir outro homem, aparentemente também haitiano, que rapidamente sai do alcance da câmera.

“A gente já está em guerra entendeu?”, diz o homem, que usa uma farda militar com um broche com a caveira que é símbolo do Bope.

Alvo do quadro “CQC Haters”, Daniel negou que esteja descriminando os haitianos hostilizados em seu vídeo. Segundo ele, a gravação é uma tentativa de mostrar o que, ocultamente, o governo petista tem feito junto ao Foro de São Paulo. 

Veja o que o agressor disse ao CQC sobre a agressão aos haitianos:

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