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Atualizado em quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 - 19h08

Presos suspeitos de terem desviado 40 milhões da saúde em Canoas

O superfaturamento na compra de remédios, feito pela entidade que administra os hospitais da cidade, chegou a 17 mil por cento

Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão, pelo ministério público, em cinco estados. O líder da organização foi preso em um hotel de luxo em porto alegre. Outras duas pessoas também foram detidas, uma delas em São Paulo. Todas tinham ligação com a entidade assistencial gamp: que era responsável pela gestão de dois hospitais no município de canoas, na Região Metropolitana. Ao longo de cinco anos de contrato, o grupo receberia mais de um bilhão de reais da prefeitura. A estimativa do MP é que quarenta milhões de reais tenham sido desviados.

 

Desde o último dia 14, as consultas eletivas estão suspensas na cidade. Apenas atendimentos de urgência são realizados. O gamp alegou falta de repasses da prefeitura e do governo do estado. Segundo o promotor do ministério público e coordenador do grupo de atuação especializada de combate ao crime organizado João Beltrame, o mal atendimento chamou a atenção. 

 

“A gente tem a impressão que o serviço estava sendo mal prestado, isso gerou o que estamos fazendo hoje, desde aquele momento a atuação no serviço mal prestado, o serviço não estava contento, a população reclamando, os órgãos sindicais reclamando a falta de pagamento, então isso tudo levou a gente a essa atuação hoje”.

 

Mais de 100 pessoas estão sendo investigadas. A secretária de saúde da cidade e o secretário adjunto foram afastados dos cargos. Segundo o promotor João Beltrame, a prefeitura deveria ter fiscalizado as denúncias. Por mês, o município repassava 21 milhões de reais ao grupo.

 

“A gente tem a sensação de que eles tinham um conhecimento das irregularidades, das dificuldades, dos maus atendimentos e deixaram de fiscalizar, deixaram de agir, não tomaram as medidas necessárias para cessar esse tipo de conduta, eles foram advertidos por vezes que podiam estar acontecendo esse tipo de irregularidade. E se manterem inerte em razão do compromisso que tinham com a empresa gamp”, ressalta João Beltrame.

 

O Ministério Público apurou que os medicamentos eram comprados por valores, em média, 285% mais caros que o preço de mercado. Segundo a investigação, o superfaturamento nas compras variava de 20 a 17.000%. Em diversos casos, os produtos foram pagos, mas nunca chegaram até os hospitais. O promotor de justiça de canoas, Marcelo Dossena, explica como o esquema funcionava. 

 

"Existem empresas que fornecem medicamentos que pertencem ao gamp. Eles compram deles mesmos. Assim como as consultorias, eles contratam eles mesmos".

 

A denúncia identificou também a utilização de laranjas na direção do gamp e o pagamento de viagens de férias com o dinheiro público. Mais de quatrocentos e oitenta mil reais foram usados com passagens aéreas e hospedagens em hotéis cinco estrelas.

 

Em nota o gamp disse que irá se manifestar formalmente assim que os advogados tiverem acesso a investigação do ministério público. O grupo ressaltou também que é vítima de um movimento de perseguição política e que tem o maior interesse de esclarecer os fatos.

 

A prefeitura de canoas, também por meio de nota, disse que considera positiva e que está colaborando com a investigação do ministério público sobre os contratos firmados pelo município com o gamp em 2016 e espera que os fatos sejam esclarecidos com a maior brevidade.