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Atualizado em quarta-feira, 30 de janeiro de 2019 - 12h28

Duas barragens gaúchas estão em situação de risco

Os dados são da Agência Nacional de Águas.
O Ministério Público Estadual ressalta que há ainda outra barragem que apresenta perigo / Reprodução Band RS O Ministério Público Estadual ressalta que há ainda outra barragem que apresenta perigo Reprodução Band RS

O Rio Grande do Sul é o estado com o maior número de barragens. Das cerca de 24 mil cadastradas, em todo o Brasil, pela Agência Nacional de Águas mais de 10 mil ficam aqui.

 

Segundo um relatório da Agência, duas barragens no Estado apresentam riscos. Uma em Cachoeira do Sul e outra em Pelotas. O Ministério Público Estadual alerta para outra estrutura em Viamão, que segundo um estudo feito em 2014, a pedido da Secretaria de Obras Públicas, também oferece perigos.

A barragem Águas Claras Tem uma altura de cerca de 14 metros e um comprimento de 2600 metros. O volume que pode ser armazenado nela é maior que o de Brumadinho, como explica o promotor de justiça Daniel Martini.


“Uma barragem com grande volume são 18 milhões de metros cúbicos armazenadas de água. É uma quantidade superior a barragem de Brumadinho que agora sofreu esse gravíssimo acidente em Minas Gerais”.


“No caso de um rompimento do talude, e corre risco de isso acontecer, pode atingir esse turbilhão de água, esses 18 milhões de metros cúbicos podem atingir a zona norte do município de Porto Alegre e causar não só prejuízos ambientais e materiais, como também vidas humanas”, afirma o promotor.


O MP Federal abriu um inquérito civil, ainda em 2014. A barragem fica em um assentamento, criado em 1998, e é de responsabilidade do Incra, que disse, por meio de nota, estar respondendo a todas as demandas do inquérito. O instituto informou também que tem se esforçado para captar recursos financeiros para contratar uma empresa que faça uma inspeção de segurança.


A manutenção do local é feita pelos agricultores. Osmar Moura é líder do assentamento e diz que a barragem não oferece riscos à população. Ele afirma que comportas e tubulações foram reformadas recentemente, e que há vertentes naturais por onde a água escorre.


“Ela tem 16 comportas que no período de chuvas a gente consegue abrir essas comportas não deixando ela estourar. Quando a barragem começa a balançar bastante que cria as ondas tem um sistema de entroncamento com pedras, vibra, chacoalha, ela não corrói o maciço que tem na taipa. Como nós conseguimos monitorar o sistema apresentação de risco essa barragem não tem”.


Além de ser usada para a irrigação da lavoura de arroz orgânico, a barragem é necessária para a conservação da biodiversidade do Banhado dos Pachecos. Há ainda três comportas que mandam água para o Rio Gravataí, como ressalta Osmar Moura.


“Parte da água que a população consome sai dessa barragem de derivação”.


Para o promotor Daniel Martini a fiscalização é fundamental para evitar novas tragédias, como a que aconteceu em Brumadinho, em Minas Gerais.


“O Estado hoje não pode confiar apenas no próprio empreeendedor, nos laudos produzidos pelo próprio empreeendedor. O próprio “Estado precisa fazer essa checagem”.


Em nota o Ministério Público Federal informou que como até o momento não foram apresentadas de forma concreta iniciativas para resolver os riscos apresentados pela barragem, o órgão tomará as providências dentro de sua atribuição para evitar danos decorrentes do rompimento da barragem.

 

Confira a reportagem que foi ao ar no Band Cidade em 29/01/2019: