Bolsonaro diz não acreditar em número de mortos e pede volta ao trabalho

Em entrevista exclusiva ao Brasil Urgente, presidente disse que País não pode quebrar por causa de um vírus; "alguns vão morrer, lamento, é a vida", acrescentou

O presidente Jair Bolsonaro concedeu uma entrevista exclusiva ao Brasil Urgente, da Band, nesta sexta-feira, 27, minimizando o coronavírus, pedindo o fim da quarentena, o retorno ao trabalho e voltou a criticar o governador de São Paulo, João Doria, dizendo não acreditar no número de mortos no Estado.

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“No Rio de Janeiro, até os dados de ontem, 9 óbitos, e 58 em São Paulo. Eu sei que a população tem uma diferença, mas está muito grande para São Paulo. Não pode ser um jogo de números para favorecer interesses políticos. Não estou acreditando nesses números de São Paulo, até pelas medidas que ele [Doria] tomou", afirmou.

"São Paulo não está no caminho certo, a população já entendeu que ele [Doria] exagerou na dose, espero que ele tome um comprimido de humildade", completou Bolsonaro, que ainda chamou o governador de "papagaio de auditório" devido a quantidade de entrevista que Doria tem concedido. "Não me interessa ouvir a opinião dele".

Veja a entrevista na íntegra:

Nesta sexta-feira, pouco depois da entrevista, números atualizados mostram que o Estado de São Paulo já tem 68 mortes por causa da pandemia de coronavírus. Segundo a Secretaria de Saúde, dez pessoas morreram apenas nas últimas 24 horas. Em todo o Estado, são 1223 pacientes confirmados pela Covid-19. No Brasil, são 92 mortes pela doença.

Mesmo diante desses números, Bolsonaro sugeriu que alguns Estados possam estar fraudando as estatísticas. "Quantos morrem por H1NI? Umas 700 pessoas por aí. E todo mundo está com coronavírus? Isso é sinal que o Estado está fraudando, querendo fazer uso político dos números".

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O presidente também comentou a situação da Itália, país europeu com o pior cenário do surto. Para ele, as mortes não necessariamente estão ligadas ao surto. "[Estão morrendo pessoas] tudo acima dos 80 anos em uma região fria".

Também nesta sexta-feira, a Itália registrou o maior número de mortes em apenas um dia durante as últimas 24 horas por causa da pandemia do novo coronavírus. Segundo o governo, 919 pessoas morreram entre ontem e hoje. Desde o início da pandemia, o País registra 9.134 mortes.

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O presidente reforçou o discurso contra o isolamento social, que muitos países estão seguindo e que é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para Bolsonaro, existe um interesse em desestimular os investimentos no País. "O Brasil não pode quebrar por causa de um vírus. Tentam quebrar o Brasil com esse alarmismo", disse. "O maior remédio para a doença é o trabalho. Quem pode trabalhar, tem que voltar a trabalhar. Não pode se esconder, ficar de quarentena não sei quantos dias em casa e está tudo bem. Não é assim".

"Alguns vão morrer, vão morrer, lamento, é a vida. Não pode parar uma fábrica de automóveis porque tem mortes no trânsito", exemplificou.

O presidente defendeu a quarentena vertical, com grupos de risco - idosos e pessoas com comorbidades - no isolamento, e o restante voltando à rotina. "Para 90% da população, isso vai ser uma gripizinha ou nada", definiu. Questionado sobre dados mais recentes, que mostram que jovens também estão tendo complicações e morrendo por causa da Covid-19, Bolsonaro minimizou. "É perto de zero [esses casos]. O número de óbitos abaixo dos 40 anos é insignificante".

O presidente afirmou ainda ter lido estudos que muitas das mortes atribuídas ao vírus não tem a ver com a doença. "Muitos me criticaram, mas hoje tem muita gente achando que tudo isso é uma histeria. Tem que desfazer esse clima de pânico; pânico também é doença, e voltar à normalidade".

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"Nossa parte estamos fazendo. Criando leitos de UTI, comprando respiradores, mas o Brasil não pode pensar só no coronavírus. Tem gente com câncer, com cálculo renal, grávidas vão dar à luz. Não pode ter correria aos hospitais", acrescentou.

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