Bolsonaro sobre quarentena: ‘População votou em mim e não em ministros’

Em entrevista ao Datena, presidente disse que conversou com Mandetta sobre um "redirecionamento" no isolamento

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, 27, que conversou com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a mudança na política de quarentena por causa do coronavírus.

As declarações recentes do presidente e do ministro expuseram um descompasso entre os dois em relação ao isolamento indicado para evitar o avanço do vírus: Mandetta defende o confinamento em massa, enquanto Bolsonaro quer afrouxar a quarentena, isolando apenas integrantes de grupos de risco, como idosos.

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“Conversei com ele [Mandetta]. O redirecionamento tem que haver na questão do isolamento vertical e horizontal. Amanhã [sábado, 28] nós vamos discutir isso daí. Outros redirecionamentos acontecerão para a gente tentar buscar atender as possíveis vítimas do coronavírus”, declarou Bolsonaro em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, no Brasil Urgente, da Band.

Bolsonaro afirmou ainda que “ninguém é dono da posição” em sua equipe, e ressaltou que a última palavra é sempre dele, o presidente.

“Aqui não é eu isolado e cada ministro faz o que dá na cabeça”, declarou.

“[Eleitores] Votaram em mim, não votaram em nenhum ministro. Respeito todos, acho excepcional o trabalho, a grande maioria pode dispensar o solário de ministro, que é de R$ 33 mil, que vai continuar a vida tranquila. Mas aqui tem um comandante do navio, não é cada um remando para um lado de acordo com seu interesse”, afirmou.

Golpe

Questionado por Datena se seria capaz de dar um golpe e fechar o Brasil, Bolsonaro disse: “Quem quer dar um golpe jamais vai falar que vai dar. Eu estou quase na metade do segundo ano de mandato. Não tomei nenhuma medida contra a imprensa brasileira, diferentemente de outro partido lá atrás, que queria o controle social da mídia”, disse.

“Alguns vão morrer”

Na entrevista, Bolsonaro disse que considera o número de mortos em São Paulo muito alto. "Não pode ser um jogo de números para favorecer interesses políticos", afirmou. O presidente ainda criticou as medidas adotadas no Estado. "A população já entendeu que ele [Doria] exagerou na dose, espero que ele tome um comprimido de humildade", completou.

Mesmo contra a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o presidente pediu volta à normalidade. "O maior remédio para a doença é o trabalho. Quem pode trabalhar, tem que voltar a trabalhar. Não pode se esconder, ficar de quarentena não sei quantos dias em casa e está tudo bem. Não é assim".

Para Bolsonaro, o coronavírus passará por 90% da população como uma "gripezinha ou nada". "Alguns vão morrer, vão morrer, lamento, é a vida. Não pode parar uma fábrica de automóveis porque tem mortes no trânsito", exemplificou.

Veja a entrevista na íntegra:

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