"Estou estudando se assino ou não", diz Bolsonaro sobre decreto que flexibiliza o isolamento social

Em entrevista exclusiva ao Brasil Urgente, presidente afirmou que analisa transformar qualquer atividade que “leva comida para casa” como essencial

Jair Bolsonaro diz que tem analisado a possibilidade de flexibilizar o isolamento social no Brasil via decreto, mas reconhece que a medida pode enfrentar problemas judiciais.

"O meu decreto está aqui para ser assinado. Estou estudando se assino ou não assino, porque vou ter um problema enorme na Justiça e [com o] Legislativo", pontuou em entrevista exclusiva ao Brasil Urgente nesta quarta-feira, 8.

"O presidente da Câmara [Rodrigo Maia] já disse que derrubaria o meu decreto e tive notícias também iria sofrer impedimentos na Justiça logo na primeira instância", acrescentou. "Penso até em transformar o decreto em projeto de lei e mandar para o parlamento decidir".

Bolsonaro detalhou ainda o conteúdo da sua proposta, que iria alterar quais são as atividades essenciais no País. "No meu entender, atividade essencial é toda aquela indispensável para o homem poder levar para seus filhos um prato de comida. É isso", resumiu. "Você impede as pessoas de trabalharem, não tem comida em casa".

O presidente disse ainda que não tem esse poder todo que o povo pensa. "Tem que respeitar a federação, os Estados e municípios. Mas não podemos viver em um clima de guerra também, com toque de recolher. Algumas cidades já começaram a flexibilizar [o isolamento social], já tem aumento no trânsito, aos poucos as coisas vão se normalizando", afirmou.

"A chuva está aí. Vamos se molhar. Alguns, infelizmente, vão se afogar", completou, fazendo uma metáfora com a pandemia de coronavírus. "Cada família tem que proteger seus idosos, não jogar isso para o Estado. É colocar os idosos em casa e o resto ir trabalhar, porque os empregos estão sendo destruídos".

Conversas com Osmar Terra

Bolsonaro ainda comentou que tem conversado com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) sobre as medidas contra a pandemia. "Ele enfrentou a H1N1 [em 2009], entende do assunto", afirmou. "Ele fala que tem esse fantasma da curva, mas o número de infectados será o mesmo. O que buscamos fazer é ter meios para atender essas pessoas. Algumas vão perder a vida, lamentável, mas faremos o possível para que isso não aconteça".

Em meio a boatos de demissão do atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o nome de Osmar Terra surgiu como possível substituto. Questionado sobre o assunto pelo jornalista José Luiz Datena, o presidente desconversou: "Tchau, Datena, um beijo".

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