"Ricos tiveram mais acesso ao auxílio do que moradores de favela", diz presidente de instituto

Pesquisa revelou que um terço das classes A e B pediram o auxílio do governo; 69% receberam o dinheiro

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que 1/3 das famílias de classe A e B fizeram pedidos para o auxílio emergencial do governo federal. Desse número, mais de 69% tiveram o pedido aceito e receberam o dinheiro.

Fundador e presidente do instituto que realizou o estudo, Renato Meirelles falou sobre o levantamento no programa Bastidores do Poder, da Rádio Bandeirantes, nesta quarta-feira, 3.

"Esse número é maior do que o número de moradores de favela que pediram e tiveram acesso ao auxílio, que foi de 62%", contou.

O auxílio emergencial foi criado pelo governo federal para atender famílias de baixa renda, com limites claros: tem direito ao benefício famílias com renda por pessoa que não ultrapassem meio salário mínimo e famílias com teto geral de renda menor do que R$ 3,3 mil. "Essa não é a realidade dos 25% mais ricos do Brasil que formam a classe A e B", ressalta Meirelles.

O presidente do instituto responsável pela pesquisa fez outro levantamento que revelou que mais de 5 milhões dos beneficiários não tinham conta bancária ou acesso à internet, o que dificulta o pagamento do auxílio.

"É mais fácil, portanto, para os mais ricos e escolarizados terem acesso a esse dinheiro do que os mais pobres, que são justamente o público-fim do auxílio", completa.

Justificativas usadas para a irregularidade

Renato Meirelles também comentou outro detalhe da pesquisa, que se aprofundou na questão, perguntando para os ricos que obtiveram o dinheiro se não achavam a atitude, no mínimo, antiética.

"Essas pessoas não achavam nada de errado. Diziam 'melhor no meu bolso do que no bolso dos políticos', ou então, 'eu já pago muito impostos, não tem nada de errado em receber um pouco de volta'", detalhou.

Para o presidente do instituto, o governo precisa rever os filtros usados para classificar quem tem ou não direito ao dinheiro. "Os filtros não estão funcionando", pontuou.

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