Nem toda escola terá estrutura para retorno seguro, diz psicóloga

Comunidade deve se organizar para ajudar instituições de ensino a receberem seus estudantes com o melhor protocolo possível

Diante da expectativa do retorno presencial às aulas nos próximos meses, escolas adaptam estruturas para dar mais segurança aos alunos conforme as possibilidades de cada instituição. Em contrapartida, os pais se veem em um verdadeiro dilema entre garantir o maior aproveitamento da educação por seus filhos e mantê-los longe das probabilidades de contraírem a COVID-19. 

Na edição deste sábado (18), do "Seus Filhos", da rádio BandNews FM, a psicóloga e apresentadora do programa Rosely Sayão explica que quanto menor a criança mais difícil será o controle dos pais em relação à segurança dela. "É preciso recurso humano em quantidade suficiente para dar conta disso. Não vai ser fácil para as escolas", alerta.

Essa questão levantada por Rosely se dá porque, segundo ela, é fácil fazer com que as crianças compreendam as instruções de forma cognitiva e intelectual. O desafio mesmo acontece ao tentar fazer com que elas transformem esta compreensão em comportamento na hora da empolgação de rever os amigos: "as crianças são impulsivas, elas são espontâneas. Quando elas perceberem, já beijou, já abraçou".

Para resolver o problema, a psicóloga orienta que as famílias comecem desde já o trabalho de conscientização. É preciso explicar o que é distanciamento social; de forma didática, mostrar qual é o tamanho da distância de 1,5 metro necessária para a segurança e todas as outras medidas aplicáveis para que o retorno seja mais tranquilo. 

Já as escolas que dispõem da verba necessária preparam diversas adaptações para receber os alunos. O "Seus Filhos" ouviu Marcone Andrade, diretor de uma escola em Fortaleza, que classificou as mudanças no calendário letivo como foco atual de seu trabalho pré-retorno. A medida, segundo ele, visa dar atenção especial aos alunos de terceiro ano, por conta do Enem, e aos estudantes que não conseguiram, por questões socioeconômicas, acompanhar as atividades remotas. 

"Quando as aulas voltarem, também haverão mudanças que estão no eixo da segurança sanitária, como a adaptação dos bebedouros, compra de totens com álcool em gel, e disponibilização de torneiras com sabão e toalha de papel para todos", completa Marcone.

Apesar de providenciais, as medidas citadas pelo diretor não serão acessíveis a qualquer escola, alerta Rosely Sayão. Isso porque a maior parte das instituições particulares, assim como as públicas, não têm orçamento para fazerem grandes mudanças, por serem muitas vezes pequenas e cobrarem baixas mensalidades. Neste caso, a comunidade deve se manifestar. 

"A melhor ideia seria a comunidade que frequenta aquela escola se unir, se organizar, para tentar ajudar o local a receber os estudantes. Nesse momento é interesse de todos, dos pais que querem e dos que precisam, mandar os filhos para escola", explica Sayão. 

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