Regulamentação da greve pode gerar crise

Sindicatos prometem grande mobilização caso percam direito de greve; especialista acha que governo escolheu momento inoportuno

O governo federal deve apresentar, em outubro, uma proposta de regulamentação das greves no serviço público no país. A medida pode restringir o atual modelo de paralisação, baseado apenas na Constituição de 1988, o que provocará uma verdadeira crise entre os sindicatos e o Executivo.

"Se o plano apresentado pelo governo não nos interessar, vamos retomar as mobilizações, iremos às ruas até desgastá-los", afirma o dirigente da CSP-Conlutas (Central Sindical Popular), Paulo Barela.

Jurista: serviços essenciais não podem parar

O cientista-político e professor da USP (Universidade de São Paulo) Osvaldo Coggiola concorda que os movimentos sindicalistas podem levar problemas para a popularidade da presidente Dilma Rousseff. "Não há dúvida que eles têm uma grande força de influência e farão de tudo para vetar qualquer indício de restrição de seus direitos", diz.

"Vamos unir nossa força com a de outros setores do serviço público federal para inviabilizar qualquer proposta que tire ou restrinja nosso direito de greve", afirma o vice-presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), Paulo Poloni. A categoria está paralisada há mais de 50 dias e pede reestruturação da carreira. 

Força 

Coggiola alerta, porém, que nem sempre a mobilização popular e a presença membros representantes dentro da Câmara e do Senado são suficientes para mudar o rumo de uma votação. 

"Esta questão é como uma caixa-preta – ninguém sabe bem o que pode conter nela. No Brasil, as alianças políticas mudam muito e não dá para prever o final desta história", afirma o especialista que tem afirma ter certeza apenas de uma questão.

"Este é o momento mais inoportuno para apresentar tais sugestões", diz. O professor da USP explica que assunto só tomou grande proporção depois das últimas e longas greves que o país teve neste ano. "Está claro que a ação governista acontece por conta do que as paralisações causaram na sociedade, mas a presidente terá que tomar cuidado para que a batata não esquente frente aos grupos sindicais", completa. 

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