Especialistas criticam proposta da Gol

Proposta da companhia aérea é de pagar bônus a pilotos que economizam combustível

Especialistas em aviação criticam a proposta da companhia aérea Gol de pagar bônus para pilotos que economizam combustível. Para atingir a meta, os comandantes teriam de tomar medidas como, por exemplo, não acionar o reverso – que ajuda a frear – durante o pouso em pistas longas e que estejam secas.

O especialista em gerenciamento de risco, Gustavo Tavares da Cunha Mello, diz que tudo o que estimula o piloto a adotar manobras mais arriscadas não pode ser considerado bom.

Segundo Mello, o grande gasto de combustível das empresas está nas falhas de infraestrutura no país: quando os aviões são obrigados a ficar sobrevoando porque não têm espaço nos aeroportos ou porque ficam em solo aguardando para decolar.

Já o comandante Décio Correa, presidente do Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento da Aviação Civil, também critica o bônus e diz que a tripulação não deve trabalhar sob pressão. Em vez disso, ela deve estar livre para decidir o que for mais seguro aos passageiros.  

A Gol

A empresa Gol diz que a polêmica decisão de premiar profissionais pela economia de combustível procura padronizar um comportamento que já existe, mas não é de todos ainda.

Segundo o diretor de Operações da empresa, Pedro Scorza, estudos realizados durante mais de um ano dão amparo à medida e eliminam qualquer risco à segurança das operações.

Criticado por especialistas, o programa que prevê pagamento de bônus sugere até redução mais direta de altitude para pouso e rotas encurtadas entre origem e destino.

O executivo da companhia aérea garante que isso é um padrão técnico já seguido por alguns comandantes e a ideia agora é que todos ajam da mesma forma sempre que for possível.

A entrevista com o diretor de Operações da Gol, Pedro Scorza, foi feira no programa Manhã Bandeirantes pelo jornalista Agostinho Teixeira.

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