Fuvest 2017 traz provas de humanas mais exigentes

Conhecido pelo alto grau de dificuldade nas matérias exatas, esse ano o vestibular foi rigoroso também em Geografia e História

A prova da primeira fase da Fuvest, realizada neste domingo com um índice de abstenção de 9,2%, fechou o ciclo de vestibulares das universidades estaduais de São Paulo. Entre os três - Unesp, Unicamp e Fuvest -, esta última certamente foi a mais exigente. Essa é a opinião de Alexandre Antonello, coordenador pedagógico do Cursinho CPV. “O grau de dificuldade de História e Geografia surpreendeu e certamente essas disciplinas farão a diferença na nota de corte dos candidatos”, avalia.

Isso porque as duas provas trouxeram muitos elementos gráficos para análise, como mapas e tabelas, além de trechos de textos. E, além da interpretação do que era dado, o aluno precisava fazer relações com a teoria aprendida ao longo do ensino médio e conhecimento adquirido na leitura de noticiosos. Um dos destaques nesse sentido foi a questão de História (31 na prova V) que trazia trecho de texto de 1999 para ser relacionado com foto do menino Alan Kurdi, de 2015. Ainda que as duas disciplinas tenham pedido assuntos esperados, como Regime Militar no Brasil e geografia física, o nível do exame foi bastante alto.

O trio de exatas, como esperado, também teve um grau de dificuldade bastante alto. Mas enquanto as provas de Física e Química equilibraram as questões conceituais com aquelas que demandavam cálculos, Matemática exigiu muita aplicação algébrica. Quanto ao conteúdo, enquanto logaritmo provou ser escolha certa - faz 23 anos que figura na prova -, a presença de polinômios com raiz complexa surpreendeu, já que não caía nessa fase do vestibular havia alguns anos. Para Antonello, a parte de exatas merece duas críticas. A primeira, quanto ao espaço de rascunho, que muitas vezes não era suficiente para cálculos trabalhosos. A segunda, para a questão que envolvia divisores (80 da prova V), em que o aluno precisava testar todas as alternativas para saber qual era a correta. “Com certeza, esse não é um bom tipo de modelo, acabou que destoou do padrão Fuvest”, diz.

O exame de Língua Portuguesa foi, basicamente, uma prova de Literatura. Com 18 questões, contando as interdisciplinares, duas foram sobre teoria literária e dez foram sobre as obras obrigatórias. Nesse quesito um dos destaques foi para o livro africano Mayombe, do angolano Pepetela, que foi usado em uma pergunta que envolvia Geografia.

Esse ano as provas mais tranquilas foram Inglês, com cinco questões de interpretação de textos bastante atuais - os dois de junho de 2016 -, e Biologia, com questões que envolviam assuntos esperados, como genética.

O resultado da primeira fase será divulgado no dia 19 de dezembro e os aprovados deverão fazer a 2ª fase nos dias 8, 9 e 10 de janeiro, com provas dissertativas e redação.

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