MG: Pimentel e Anastasia são os mais atacados em debate da Band

Ex-governador e atual mandatário do Executivo mineiro foram os principais alvos dos demais candidatos ao governo do Estado

A Band realizou, na noite desta quinta-feira, 16, o primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais. Estiveram presentes nos estúdios da emissora, em Belo Horizonte: Antonio Anastasia (PSDB), Claudiney Dulim (Avante), Dirlene Marques (PSOL), Fernando Pimentel (PT), João Batista Mares Guia (Rede) e Marcio Lacerda (PSB) - assista à íntegra:

No primeiro bloco, os candidatos se confrontaram em perguntas entre eles. O primeiro questionamento do debate foi feito pelo ex-governador do Estado Antonio Anastasia (PSDB) a seu sucessor, Fernando Pimentel (PT), sobre o aumento de impostos em Minas Gerais. Mostrando o clima de confronto direto entre os dois últimos mandatários do Executivo local, o petista atacou a gestão tucana, e disse que herdou dívidas e dificuldades de seu adversário, comparando as duas administrações.

Logo na sequência, questionado por Pimentel, o candidato do Avante, Claudiney Dulim, atacou os dois últimos governadores e se disse um representante da nova política no Estado.

Depois de responder às perguntas de Pimentel, Dulim questionou o candidato da Rede Sustentabilidade, João Batista Mares Guia, sobre a atual crise no Estado, que sofre até mesmo para conseguir pagar seus servidores, e mais uma vez tanto o tucano como o petista foram alvo de críticas dos adversários.

Na sequência, o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) não controlou seu tempo e acabou não concluindo sua pergunta à Dirlene Marques (PSOL), que então se apresentou e também atacou os dois últimos governadores. Em sua réplica, Lacerda aproveitou para criticar seu próprio partido, que luta na Justiça para anular a candidatura do ex-prefeito depois de fechar um acordo nacional com o PT, e se disse vítima de um “acordo de cúpula, na calada da noite” para que não pudesse ser candidato.

A próxima pergunta foi feita, então, por Mares Guia a Lacerda. O candidato da Rede questionou o postulante do PSB sobre medidas para educação e o ex-prefeito de Belo Horizonte aproveitou, então, para falar de seus feitos à frente da capital mineira.

No final do primeiro bloco, Dirlene Marques questionou Antonio Anastasia sobre aumentos reais aos funcionários públicos do Estado. Em sua réplica, ela, que foi professora de Economia do ex-governador na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ironizou, então, seu ex-aluno, que afirmou ter concedido reajustes aos servidores dentro do possível aos cofres públicos.

Perguntas do público

No segundo bloco, os candidatos ao governo de Minas Gerais responderam perguntas feitas por espectadores da Band Minas, leitores do Metro Jornal e ouvintes da BandNews FM local.

O primeiro questionamento tratou sobre a situação dos presídios no Estado e foi feito a Claudiney Dulim, que prometeu reforçar o quadro de funcionários aprovados em concurso e criticou a administração atual, de Fernando Pimentel.

Na sequência, Antonio Anastasia respondeu uma pergunta sobre geração de empregos no Estado. O tucano, então, afirmou que buscará trazer investimentos e novas empresas para Minas, para assim gerar novos postos.

O atual governador mineiro, Fernando Pimentel, foi o próximo a responder. Questionado sobre o cumprimento das propostas apresentadas na campanha, o petista aproveitou para ironizar seus adversários, que criticaram sua gestão e prometeram melhorias no Estado. Segundo ele, os outros postulantes fizeram um “festival de promessas” e se mostraram “verdadeiros mágicos”.

Questionada sobre combate à corrupção, Dirlene Marques criticou o processo de privatização de empresas feito pelo PSDB na esfera federal e estadual e também a crise do PT, e disse que seu partido, o PSOL, propõe um novo modelo de gestão e sociedade.

Em seguida, Márcio Lacerda respondeu uma pergunta sobre a conclusão das obras na BR-381 e disse que o Estado é vítima de perda de poder político e falta de investimento. Ele prometeu, então, articular os interesses de Minas Gerais com o governo federal, para conseguir recursos para as obras.

Último a responder às perguntas feitas no segundo bloco, João Batista Mares Guia falou sobre corte de gastos públicos. Para resolver a crise fiscal no Estado, ele prometeu apoiar um projeto de reforma da Previdência em articulação com o novo presidente do País, além de uma reforma tributária e a fusão de órgãos da administração local.

Jornalistas questionam os candidatos 

No terceiro bloco, os candidatos tiveram que responder questionamentos feitos por jornalistas do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Na primeira pergunta, João Batista Mares Guia falou sobre a diferença no desenvolvimento econômico das regiões do Estado. Ele, então, culpou “governos de escritório”, distantes da vida dos cidadãos, pela discrepância entre índices, e propôs mudanças tributárias. No seu comentário, Fernando Pimentel disse, então, que buscou aproximar o governo através de fóruns com a população.

Ao falar sobre a crise fiscal que Minas Gerais enfrenta e o refinanciamento da dívida do Estado, Fernando Pimentel pontuou o déficit da Previdência no Estado, afirmou que herdou um rombo nas contas públicas e disse que defenderá uma reforma previdenciária diferente da sugerida pelo governo de Michel Temer (MDB). Em seu comentário, Antonio Anastasia acusou o petista de “terceirizar responsabilidades” e não assumir sua culpa.

Questionado sobre a melhora no atendimento da saúde pública no interior do Estado, Márcio Lacerda aproveitou para falar sobre seus feitos à frente da Prefeitura de Belo Horizonte. Em seu comentário, João Batista Mares Guia afirmou que buscará fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e descentralizar a gestão nessa área, para melhor compreender as necessidades específicas.

A candidata do PSOL, Dirlene Marques, falou sobre o déficit fiscal do governo mineiro. Segundo ela, sua gestão resolverá o problema por meio da mudança da lógica atual, que, segundo ela, “serve ao capital, não aos interesses públicos”. Claudiney Dulim, então, apoiou a resposta de sua adversária, e disse discordar de que o problema que o Estado enfrenta seja fruto exclusivamente do déficit previdenciário.

Perguntado sobre uma afirmação feita em entrevista ao Metro Jornal, na qual disse que não se candidataria ao governo do Estado pela pouca chance de mudanças devido à atual situação do governo mineiro, Antonio Anastasia disse que decidiu postular o cargo de chefe do Executivo local devido ao seu “amor a Minas Gerais”. Apesar de reconhecer as dificuldades atuais, ele disse que terá criatividade e disposição para melhorar a situação local. Em seu comentário, Dirlene Marques disse que é hora de buscar o novo para o Estado.

Fechando o terceiro bloco, Claudiney Dulim falou sobre a situação das contas públicas no Estado. Questionado sobre cortes ou atrasos nos repasses ao Legislativo e Judiciário, ele pediu uma auditoria da dívida pública, criticou as gestões passadas, do PSDB e do PT, e prometeu, então, junto ao povo, resolver a situação. No seu comentário, Márcio Lacerda disse que a situação é grave e requer liderança, planejamento e união.

Confronto direto 

No quarto bloco, os candidatos voltaram a fazer perguntas uns aos outros. No início, Dirlene Marques criticou Fernando Pimentel e disse que o governador não cumpriu suas promessas apresentadas em 2014 ao longo de sua gestão. Em sua resposta, o petista focou em suas ações em prol da educação no Estado, acabou novamente atacado pela pessolista e disse ser vítima da situação herdada de Antonio Anastasia.

Na sequência, João Batista Mares Guia questionou Marcio Lacerda sobre a responsabilidade do atual governador mineiro, Fernando Pimentel, na crise do Estado. O ex-prefeito de Belo Horizonte, então, afirmou que a situação local é culpa do governo de Antonio Anastasia, do PSDB, e de Dilma Rousseff no plano federal. Mares Guia criticou o petista, e disse que ele agravou os problemas financeiros.

Claudiney Dulim, então, questionou João Batista Mares Guia sobre sua candidatura à Prefeitura de Belo Horizonte que foi retirada. O candidato da Rede afirmou que foi vítima de uma “convenção fraudada” de seu então partido, o PT, e por isso perdeu a chance de disputar o pleito.

Seguindo a ordem, Antonio Anastasia perguntou como Claudiney Dulim trataria a Lei Kandir, que isenta do ICMS os produtos e serviços destinados à exportação, nos municípios de Minas Gerais. O candidato do Avante disse que tentaria mudar a lei na esfera federal e atacou o tucano, que também disse que buscaria junto ao governo federal corrigir problemas oriundos dessa legislação.

Na rodada seguinte, Fernando Pimentel questionou Dirlene Marques sobre medidas de descentralização do governo. A candidata do PSOL, então, disse que buscaria se aproximar ainda mais da população e dar mais poder às assembleias populares. Em sua réplica, o petista tentou, então, enumerar medidas tomadas por sua administração nesse sentido.

Fechando o penúltimo bloco do debate, Marcio Lacerda questionou Antonio Anastasia sobre o responsável pela atual crise vivida por Minas Gerais. O tucano, então, buscou enumerar medidas tomadas por sua gestão e responsabilizou Fernando Pimentel pelos problemas enfrentados pelo Estado.

Após quatro blocos de confrontos, os candidatos fizeram suas considerações finais no quinto bloco, que encerrou o primeiro debate realizado entre os candidatos ao governo de Minas Gerais.

Compartilhar

Deixe seu comentário