‘Vou enfrentar um Congresso dividido pelo ódio’, diz Tabata Amaral

Sexta deputada mais votada por São Paulo acredita que conhecimento sobre realidade na periferia será seu diferencial na Casa

Com uma história de vida transformada pela educação, a deputada federal eleita em São Paulo Tabata Amaral (PDT) pretende lutar pelo ensino de qualidade na Câmara dos Deputados, embora tenha ciência de que o ambiente na Casa não será dos mais tranquilos.

“Sei que vou enfrentar um Congresso dividido não só pelas ideias, mas também pelo ódio; o trabalho será o de dialogar”, afirma a sexta parlamentar mais votada pelo Estado em entrevista à Rádio Bandeirantes.

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Nascida e criada na periferia pelo pai cobrador de ônibus e mãe diarista, Tabata frequentou escola pública e conseguiu uma bolsa de estudos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. “Quando você conhece mundos tão diferentes, você tem que fazer alguma coisa; não dá para ficar parado”, conta a jovem em sua primeira experiência no Legislativo.

Desde que se formou, Tabata trabalha com educação pública e fez da questão uma de suas principais bandeiras políticas durante a campanha que, segundo ela, transitou entre as redes sociais e as ruas por diversas cidades paulistas.

“Não é só porque a educação transformou minha vida, mas porque eu perdi um pai para as drogas e amigos e pessoas próximas para a violência. Eu conheço não só o poder da educação, mas também as consequências da falta dela.”

Tabata diz ainda que seu conhecimento sobre a realidade da periferia será seu diferencial na Câmara. “Não importa onde eu estudei, importa que eu sei como o SUS funciona, como é andar de ônibus, o que é ser aluna de escola pública; conhecer essa realidade vai me ajudar a conectar com as pessoas”, completa.

Encontro com Obama
A parlamentar cita também um encontro do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama com jovens lideranças do Brasil, na qual foi convidada, no ano passado. “Infelizmente falta referências políticas como ele no nosso País”, diz.

Tabata lembra, por fim, das palavras de Obama no momento em que seu sucessor, o atual presidente Donald Trump, assumiu o cargo.

“Ele pediu que os descontentes com a política façam algo, que se manifestem e ocupem as ruas, mas não fiquem quietos. Que apoiem candidatos que acreditem, por menor que eles sejam, e se isso não for suficiente, se candidatem. Eu levei isso ao pé da letra. A nossa politica é desanimadora, mas a resposta é lutar por mais democracia, se engajar mais e entender que o único caminho é a própria política.”

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