Livros ajudam crianças a lidarem com os sentimentos

A leitura de uma história diante de um momento novo ajuda os pequenos a terem segurança e entenderem o processo pelo qual estão passando

Ler para uma criança traz inúmeros benefícios, desde ajuda no desenvolvimento da fala e vocabulário, até o reforço nos laços afetivos. Além disso, os livros podem ser grandes aliados para ajudar os pequenos a lidarem com seus sentimentos e até entenderem questões mais sérias, como a morte, os medos e o preconceito, entre outros.

A psicopedagoga Neide de Aquino Noffs, da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo e pós-graduada na linha de formação de educadores, explica que atualmente existem diversos livros infantis especializados em sentimentos que trazem a emoção como conteúdo. 

“Quando lemos essas histórias a criança entra em contato com os seus sentimentos e pode elaborar melhor o que está enfrentando”, explica Neide. Segundo ela, há muitos livros com metáforas, que, ao serem ouvidas pelas crianças, permitem que elas tracem um paralelo entre a história e o momento que estão vivendo.

Como deve ser feito?

E os temas são diversos: a perda, o nascimento de um irmão, eventuais deficiências e até mesmo situações mais comuns que podem causar impacto na vida delas, como usar óculos. “Mas é importante a forma como a história é contada”, diz a psicopedagoga. Por exemplo, se a pessoa que conta uma história sobre perda começa a chorar durante o texto, pode não ajudar o pequeno a entender que a situação, apesar de dolorida, é natural. 

Mulher lê livro para criançasLivro de fotografia criado por Freepik

Monstros 

Ajudar a lidar com os sentimentos foi justamente a proposta da escritora Tonia Casarin, educadora e autora do livro “Tenho Monstros na Barriga”. Na obra, o personagem principal Marcelo vai apresentando os ‘monstrinhos’ que sente na barriga diante de situações diferentes. E com isso, esses sentimentos vão ganhando nome. 

Quando joga futebol ele fica feliz, aí vem o monstrinho da alegria. Quando briga, aparece o da raiva... Dessa forma, os pequenos ouvintes aprendem a entender e a dividir aquele momento. “E quando o adulto divide sentimentos com a criança, ela começa a entender que eles também sentem essas emoções, que todo mundo sente”, afirma Tonia. 

“Eu percebi que a inteligência emocional não é ensinada. Percebi também que nos pedem competências importantes quando chegamos ao mercado de trabalho, por exemplo, e pensei: por que não começamos a desenvolver isso mais cedo? Podemos começar quando somos pequenos”, ressalta a escritora. 

Compartilhar

Ler a notÍcia completa

Deixe seu comentário