Hillary e Trump se atacam em primeiro debate

Temas como economia, impostos, racismo e combate ao terrorismo fizeram os candidatos à presidência dos Estados Unidos se estranharem

Candidatos à presidência dos Estados Unidos, a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump se enfrentaram no primeiro debate eleitoral na noite desta segunda-feira (26). O encontro, o primeiro de três debates previstos antes das eleições em 8 de novembro, aconteceu na Hofstra University, estado de Nova York.

 

Trump chegou a dizer que Hillary não teria “cara de presidente”, o que foi considerado um comentário sexista pela democrata. “Ela não parece ser presidente mesmo; não tem a raça, a força para ser uma. É preciso ter condições de negociar acordos comerciais. Ela pode ter experiência, mas é ruim nisso.”

 

Hillary rebateu. “Este homem já chamou mulheres de porcas, inferiores aos homens, disse que gravidez é algo inconveniente e que mulheres não devem receber remuneração igualitária. Depois que você viajar por 112 países, negociando acordos de paz e de cessar-fogo, ou ficar 11 horas testemunhando para uma comissão, nós podemos discutir sobre força aqui”, disse, arrancando alguns aplausos, ao referir-se à sua experiência como secretária de Estado e ao escândalo dos e-mails do qual precisou justificar-se.


Racismo

 

Temas em voga, como a economia do país, racismo e o combate ao terrorismo dominaram o debate e levaram, por diversas vezes, os candidatos a se estranharem. A questão racial, por exemplo, levantou novamente a polêmica com relação à nacionalidade do atual presidente, Barack Obama.

 

Trump, que insiste que o democrata nasceu no Quênia, tentou justificar sua tese, mas o próprio mediador do debate assegurou que a certidão de nascimento de Obama garante que ele é cidadão norte-americano. O republicano disse ainda que é preciso restabelecer a lei e a ordem nos EUA. “Em algumas regiões do país, você anda na rua e leva um tiro. Precisamos tirar as armas das mãos dos imigrantes ilegais, que estão atirando nas pessoas; isso não é discriminação, essas pessoas são do mal, é preciso atuação da polícia.”

Hillary falou que existe preconceito em vários segmentos da sociedade e que é preciso restaurar a confiança entre a polícia e as comunidades, visto os altos índices de morte de jovens negros por policiais brancos. “Vou trabalhar para que os policiais sejam bem treinados, preparados para usar a força só quando necessário e tirar armas das mãos das pessoas que não deveriam portá-las. Temos que atacar essa praga que é a violência das armas.” 

 

Estado Islâmico 

 

A segurança nacional ainda é uma grande preocupação para o eleitor norte-americano. Trump afirmou que o Estado Islâmico não existiria se todo o petróleo fosse tirado da região, já que isso é um dos pilares de sustentação do grupo extremista. Ele também criticou a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que formou coligação para combater os jihadistas. “Nós pagamos 73% da OTAN. Eles que deveriam nos pagar para protegê-los.” 

 

Hillary respondeu que a OTAN enfrenta uma ameaça terrorista que não se apresenta só nos EUA, mas no mundo todo. A democrata disse também que é preciso trabalhar junto a comunidade islâmica, e não atacá-la como, segundo ela, Trump faz de forma temperamental. “Meu ponto positivo é meu temperamento. Eu sei vencer, Hillary não”, rebateu o magnata, arrancando alguns risos da plateia. 


Empregos e impostos 

 

Recém-saído de uma crise econômica, os Estados Unidos preocupam-se com o futuro financeiro do país. Ao debaterem o tema, Hillary e Trump se alfinetaram. O plano do empresário é cortar de 35% para 15% a tributação de empresas no país. Dessa forma, de acordo com Trump, as empresas vão querer ficar e gerar empregos nos EUA. 

 

Hillary acredita, porém, que priorizar os ricos foi o que mergulhou o país na crise. “A economia não cresce com o método Trump de distribuir riquezas”, alfinetou. “Trump teve sorte na vida - bom para ele - mas não acredito que ajudar os mais ricos é melhor para todos. Precisamos fortalecer a classe média.” 

 

A discussão esquentou quando Donald foi questionado sobre a declaração de seu imposto de renda que nunca apresentou – os candidatos devem apresentar o documento ao se lançarem na disputa à presidência. “Por que ele não divulga? Tenho um palpite, talvez ele não pague os impostos federais como deve”, provocou Hillary. A democrata ainda lembrou relatos de ex-funcionários do empresário que alegam não ter sido pagos. “Talvez o trabalho deles não tenha sido bom”, respondeu o republicano. 

 

Análise 

 

Na análise de especialistas ouvidos pelo BandNews TV, que transmitiu o debate norte-americano, Hillary surpreendeu, conseguiu tirar seu adversário do sério, enquanto Trump derrapou e se mostrou nervoso demais. 

 

Para a professora Fernanda Magnotta, a democrata precisava – e conseguiu - mostrar simpatia, e o eleitor necessitava ver o lado “presidenciável” de Trump, mas não foi isso o que o magnata apresentou. 

 

“A Hillary reverteu o cenário e se mostrou simpática. O Trump, que por diversas vezes tentou provocá-la, foi quem acabou ficando nervoso”, analisou Raul Juste Lores, que já foi correspondente em Washington. 

 

Para o jornalista norte-americano Matthew Shirts, Hillary superou as expectativas. “Ela demonstrou controle, parecia que era dona da situação. Não acho que foi um nocaute [em cima de Trump], mas ela marcou muitos gols.” 

Jornal da Noite: CNN indica vitória de Hillary no debate 

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