Paralisação afeta segurança dos Estados Unidos, alerta FBI

Com recursos cada vez mais limitados, agentes especiais da polícia federal americana ainda trabalham sem cobrar

O FBI (polícia federal americana) alertou na quinta-feira, 10, que a paralisação parcial do governo, prestes a chegar à terceira semana, ameaça sua capacidade de investigar e manter as operações. O presidente dos EUA, Donald Trump, viajou até a fronteira com o México para defender, mais uma vez, a construção de um muro, do qual o financiamento tem travado a aprovação da lei orçamentária e provocou paralisação parcial do governo.

Segundo a associação de funcionários do FBI, os agentes especiais ainda trabalham sem cobrar e a direção do órgão tem feito o que pode para financiar as operações com recursos cada vez mais limitados. "O importante trabalho que o escritório faz precisa de financiamento imediato", afirmou a associação.

O grupo representa cerca de 13 mil agentes especiais ativos do FBI, que investigam desde crimes violentos e crimes financeiros até espionagem e terrorismo. Em petição enviada à Casa Branca e aos líderes do Congresso, a associação explica que a situação financeira dos agentes pode afetar o desempenho se eles não receberem salários até esta sexta-feira, 11.

"A falta de pagamento pode atrasar a obtenção e renovação das autorizações de segurança e, em alguns casos, pode até impedir que os agentes continuem fazendo seu trabalho."

Mais de 400 mil funcionários públicos federais, entre eles, dezenas de milhares de agentes da patrulha da fronteira e do Sindicato de Funcionários do Tesouro Nacional, moveram um processo coletivo contra o governo Trump pela falta de pagamento de salários durante a paralisação. Segundo o Washington Post, várias agências federais interromperam o trabalho temporariamente em razão da falta de pagamento.

A paralisação parcial do governo teve início no dia 22, após Trump rejeitar um projeto de lei orçamentário sem seu pedido de US$ 5,7 bilhões para construir um muro na fronteira com o México.

Trump deixou Washington rumo a McAllen, no Texas, sem nenhuma negociação programada com líderes do Congresso. Na quarta-feira, dia 9, o presidente norte-americano abandonou uma reunião com democratas, irritado com a falta de dinheiro para o muro.

Diante do impasse, Trump ameaçou declarar emergência nacional, para conduzir o projeto sem a aprovação do Congresso. Antes de embarcar para o Texas, Trump voltou a defender a ideia de usar os poderes presidenciais para o muro, uma promessa de campanha. "Se isso [a negociação] não funcionar, provavelmente eu farei isso [declarar emergência]. Quase diria com certeza."

Cercado por oficiais da patrulha de fronteira e pilhas de drogas, dinheiro e armas apreendidos, o presidente culpou os democratas pela crise. Trump reiterou a alegação de que o México pagará indiretamente pelo muro com as revisões dos acordos comerciais com os EUA e ouviu relatos de pessoas que tiveram parentes mortos por imigrantes. "Se tivéssemos uma barreira de algum tipo de concreto ou de arame, eles [imigrantes] não iam nem se dar o trabalho de tentar [cruzar a fronteira]", disse.

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