Jornalista brasileiro é executado no Paraguai

A região é palco constante de violência entre facções que disputam o controle do tráfico de drogas

O jornalista Lourenço Veras, o Léo Veras, acabava de jantar com a mulher, o filho de 11 anos e o sogro, quando dois homens encapuzados chegaram em um carro e começaram a atirar.

“Muito abalada, a mulher do jornalista contou detalhes do crime. “a única coisa que eu vi foi o cara descendo do carro, usando máscara, com a arma na mão e eu disse [para o léo] ‘amor!’ e ele se virou, olhou e se levantou para correr. Quando ele se levantou para correr, o cara já chegou atirando contra ele”, lembra Cinthia González.

Léo conseguiu correr até o quintal, mas foi atingido por pelo menos doze tiros. O jornalista chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

Em um documentário de 2017 sobre a violência contra jornalista na fronteira do Brasil com o Paraguai, Léo Veras chegou a falar, com bom humor, sobre o risco que enfrentava apenas por exercer sua profissão: “A gente tem que morrer um dia, né? E eu sempre peço de que não seja tão violenta a minha morte, né? Que não seja com tantos disparos de fuzil. Porque aqui, se um pistoleiro quer te matar, ele vem na tua porta, manda você abrir e ele vai dar um disparo, né? Espero que seja só de um disparo pra não estragar tanto a pele”.

A fronteira do Brasil com o Paraguai está tomada pela violência provocada pela disputa pelo domínio do tráfico internacional. PCC e Comando Vermelho travam uma verdadeira guerra pelo controle da região. As facções cometem atentados, sequestros e assassinatos contra bandidos, testemunhas e de pessoas que de alguma forma incomodam os interesses do crime organizado.

Há duas semanas, em outro ponto da fronteira entre os dois países, um empresário foi executado com mais de 30 tiros quando fazia um churrasco com amigos em casa, na beira da piscina. Ele era apontado como aliado de Jarvis Jimenes Pavão, chefão do tráfico que atualmente cumpre pena no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

As polícias do Brasil e do Paraguai investigam a execução de Léo Veras. A principal suspeita é que ele tenha sido morto por atuar no jornalismo investigativo, denunciando as ações do crime organizado na fronteira. Léo foi o sétimo jornalista assassinado na fronteira de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero em menos de vinte anos.

Entidades ligadas ao jornalismo se pronunciaram lamentando a morte de Léo Veras. Para a Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão - os assassinatos de comunicadores têm como objetivo intimidar o livre exercício do jornalismo e impedir o direito dos cidadãos de serem plenamente informados.

Compartilhar