SP: carta liga cúpula do PCC ao transporte público

Documento apreendido dentro da cadeia revela que dinheiro do tráfico é aplicado em lotações

O dinheiro do tráfico de drogas pode estar sendo aplicado no transporte público de São Paulo. A revelação consta em uma carta apreendida na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Este é o principal indício já relatado de que os líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) têm o controle de lotações das cooperativas da São Paulo Transporte (SPTrans).

A carta que associa a cúpula da facção à SPTrans foi encontrada por agentes penitenciários em maio de 2012. Segundo o Estado de S. Paulo, que teve acesso ao documento, há envolvimento de Roberto Soriano, o Tiriça - membro do PCC destacado para negociar com facções cariocas, segundo investigações do Ministério Público. 

De acordo com a publicação, a carta dá a entender que Tiriça tinha uma lotação e doou para outro membro do PCC, conhecido como Cego. Ao receber a doação, Cego teve ordem para vender uma van que já era de sua propriedade. O dinheiro da venda do veículo iria para a facção. 

A reportagem revela ainda que Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil, que têm cópias da carta, investigam delitos em cooperativas das zonas sul e leste de São Paulo. A prefeitura da capital paulista, que comanda a SPTrans, afirma que colabora com as autoridades sempre que é solicitada. A administração também estuda excluir o modelo de cooperativas da concessão do transporte público. 

Os dois citados na carta, Tirça e Cego, fazem parte da "Sintonia Fina", um grupo de sete pessoas que respondem diretamente a Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola - líder máximo do PCC. Esta é a primeira vez que a cúpula da facção é citada em um documento que relata a ligação com o sistema municipal de transportes. Até agora apenas membros hierarquicamente inferiores haviam sido mencionados. 

O PCC tem mais de 7,5 mil integrantes e fatura cerca de R$ 120 milhões ao ano, de acordo com as investigações do MP. 

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