Cientistas chineses quebram barreira técnica ao clonar macacos

Pesquisadores disseram que o projeto pode ser vantajoso para estudos médicos de doenças em animais com genes idênticos

Cientistas chineses clonaram macacos com a mesma técnica que produziu a ovelha Dolly há duas décadas e quebraram uma barreira técnica que pode abrir portas para clonagem de humanos.

Zhong Zhong e Huahua, dois macacos-cinomolgos idênticos, nasceram oito e seis semanas atrás, tornando-se os dois primeiro primatas - ordem dos mamíferos que inclui macacos, símios e humanos- a serem clonados de uma célula não-embrionária.

A clonagem foi feita através de um processo chamado transferência nuclear de células somáticas (TNCS), o que envolve a transferência do núcleo de uma célula, inclusive o DNA do animal, para um óvulo com núcleo removido.

Pesquisadores do Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai, disseram que o projeto pode ser vantajoso para pesquisas médicas ao tornar possível o estudo de doenças em populações de macacos geneticamente uniformes. Mas isto também gera a viabilidade de clonagem de nossa própria espécie.

Humanos

"Humanos são primatas. Então, para a clonagem dessa espécie, a barreira técnica agora está quebrada", disse Muming Poo, que ajudou a supervisionar o programa no instituto, a repórteres em teleconferência.

"A razão pela qual quebramos esta barreira é para produzir animais modelos que são úteis para a medicina, para a vida humana. Não há intenção de aplicar este método a humanos."

Animais idênticos geneticamente são úteis em pesquisas, porque fatores de confusão causados por variabilidade genética em animais não clonados podem complicar experimentos. Eles podem ser usados para testar novos medicamentos para uma série de doenças antes de uso clínico.

Os dois macacos recém-nascidos são alimentados com mamadeiras e crescem normalmente. Os pesquisadores disseram esperar que mais clones de macacos nasçam nos próximos meses.

Outras espécies

Desde que Dolly – "garota-propaganda" da clonagem – nasceu na Escócia em 1996, cientistas conseguiram, com efetividade, usar TNCS para clonar mais de 20 outras espécies, inclusive vacas, porcos, cachorros, coelhos, ratos e camundongos.

Experimentos similares em primatas, no entanto, sempre haviam falhado, por isso, alguns especialistas imaginaram que os primatas eram resistentes.

A nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira (24) no jornal Cell, mostra que este não é o caso. A equipe chinesa teve sucesso, após muitas tentativas, ao usar moduladores para ligar e desligar certos genes que inibem o desenvolvimento embrionário.

Mesmo assim, a taxa de sucesso é extremamente baixa e as técnicas funcionaram somente quando núcleos foram transferidos de células fetais, ao invés de adultas, como foi o caso de Dolly. No total, foram necessários 127 óvulos para produzir o nascimento de dois macacos vivos.

Eficácia

"Isto continua um procedimento pouco eficiente e arriscado", disse Robin Lovell-Badge, especialista em clonagem do Instituto Francis Crick, em Londres, que não estava envolvido no projeto chinês.

"O projeto nesta publicação não é um trampolim para estabelecer métodos para obter o nascimento de clones humanos vivos. Isto claramente é uma coisa muito tola de se tentar".

A pesquisa destaca o crescente papel importante da China em pesquisas de ponta na biociência, onde cientistas às vezes ultrapassaram barreiras éticas.

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