Protesto contra Bolsonaro reúne milhares de pessoas no Brasil e no mundo

Ato no Largo da Batata, em São Paulo, reuniu 150 mil e contou com a presença das candidatas que estão na disputa presidencial

Milhares saíram às ruas de várias cidades do Brasil neste sábado, 29, para protestar contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, em manifestação convocada por mulheres que reuniu uma diversidade de pessoas.

No Largo da Batata, em São Paulo, crianças e idosos eram vistos em meio à multidão. "Não quero um presidente fascista, de extrema-direita e completamente ignorante. Um Trump piorado, que prega violência e se vale de um discurso sem profundidade e preconceituoso. Estou aqui porque o mundo é para todos", disse a cineasta Ana Poeta na capital paulista.

Todas as candidatas que estão na disputa presidencial, exceto a senadora Ana Amélia (PP-RS), vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), passaram pelo ato, que reuniu 150 mil pessoas, segundo os organizadores. A Polícia Militar não fez estimativas.

Estavam presentes a ex-ministra Marina Silva, candidata da Rede, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), vice de Ciro Gomes (PDT), a deputada estadual Manuela d'Avila (PcdoB-RS), vice de Haddad, a líder indígena Sonia Guajajara (PSOL), vice de Guilherme Boulos (PSOL).

Em pelo menos 15 cidades do interior de São Paulo, manifestantes se mobilizaram contra o candidato, enquanto outras seis tiveram atos favoráveis ao candidato do PSL.

No Rio de Janeiro, os manifestantes contrários a Bolsonaro lotaram a praça da Cinelândia e marcharam até a Praça XV, no Centro do Rio, na tarde deste sábado. Os manifestantes se reuniram em torno do palco na Praça XV por volta das 18 horas. O ato carioca também teve militantes de partidos políticos, mas, segundo a organização, o ato foi suprapartidário.

Em Brasília, as manifestantes ocuparam três das cinco faixas da pista norte do Eixo Monumental, saindo da altura da Rodoviária do Plano Piloto em direção ao complexto cultural da Funarte, próximo à Torre de TV, zona central da capital do País.

A assistente administrativa Socorro Paiva vestia uma camiseta colorida, com frases contra o machismo. Para ela, o ato é uma forma de evitar que o país mergulhe no que considera um retrocesso histórico. "Não podemos compactuar com a intolerância. Quero que meus filhos e netos cresçam em um país sem machismo e homofobia", afirmou.

Manifestantes se concentram na Cinelândia, no centro do Rio de JaneiroManifestantes se concentram na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro (Foto: André Melo Andrade/Eleven/Estadão Conteúdo)

Houve manifestações também em cidades fora do Brasil. Brasileiros e estrangeiros se reuniram em Nova York, Viena, Milão, Londres, Paris, Berlim, Barcelona e em cidades de Portugal, como a capital Lisboa.

Em uma onda semelhante ao #MeToo, em que mulheres cobram punições a autores de assédio e direitos iguais aos dos homens, grupos em redes sociais com milhões de seguidores começaram a pregar o #EleNão, voto contra Bolsonaro nas eleições.

"Estamos, hoje, juntas e de cabeça erguida nas ruas de todo o Brasil porque um candidato à Presidência do país, com um discurso fundado no ódio, na intolerância, no autoritarismo e no atraso, ameaça nossas conquistas e nossa já difícil existência. Estamos na rua porque seu programa político econômico é um retrocesso, uma reprodução piorada das políticas terríveis do (presidente, Michel) Temer", diz o manifesto do movimento.

Adversários de Bolsonaro, que recebeu alta do hospital neste sábado 23 dias após ser esfaqueado, também têm explorado essas polêmicas do candidato a fim de pregar o voto das mulheres contra ele.

"O Brasil tem uma dívida com as mulheres, uma dívida em relação à violência, muita impunidade... Uma sociedade plural, que quer ser justa, como a brasileira, não pode permitir a discriminação contra as mulheres”, disse o candidato pelo PSDB, Geraldo Alckmin, durante campanha em São Paulo.

Em Manaus, o candidato do PT, Fernando Haddad, destacou o papel das mulheres na sociedade e em seu eventual governo. “Nossa equipe vai ter muitas mulheres, nós queremos inclusive fixar meta”, afirmou Haddad, elogiando sua vice, Manuela d´Ávila. “A Manuela vai ter papel não só como vice, mas como uma agente política importante. Ela dialoga com toda juventude brasileira e nós queremos que o protagonismo da juventude e da mulher esteja presente”, acrescentou.

Bolsonaro se envolveu em discussões públicas com mulheres e declarações do líder das pesquisas têm dividido opiniões e alimentado movimentos contrários e em apoio ao candidato por parte do eleitorado feminino.

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