SP vê negro tratado diferente do branco

7 em cada 10 moradores avaliam que a discriminação contra a população negra ficou na mesma ou aumentou nos últimos anos

Sete em cada dez moradores de São Paulo avaliam que a discriminação contra a população negra ficou na mesma ou aumentou nos últimos dez anos na cidade, segundo pesquisa do Ibope e da Nossa São Paulo. Para 40% dos entrevistados, o preconceito permaneceu igual e 30% percebem aumento na discriminação.

Mas, quando analisadas as respostas dadas somente por quem se declarou preto ou pardo, o quadro muda, para pior: 39% sentem mais preconceito hoje em dia do que há dez anos.

Um questionamento mais direto mostra que há percepção de diferenças no tratamento conforme a cor da pele. Os entrevistadores elencaram oito locais comuns da cidade: shoppings e estabelecimentos comerciais, trabalho, espaços como praças e parques, transporte público, hospitais, escolas, lugar onde mora e ambiente familiar. Nos seis primeiros, metade ou mais dos entrevistados disse haver tratamentos distintos para negros e brancos (veja quadro abaixo).

racismo

Outro ponto destacado pela pesquisa é a diferença nas oportunidades de trabalho: 66% dos entrevistados veem menos chances para negros do que para brancos. Aqui, a percepção também é maior quando quem responde se declara preto ou pardo: 73% deles consideram ter menos oportunidades devido à cor da pele.

Presente no debate que fez parte da apresentação da pesquisa, o presidente do Instituto Luiz Gama, Silvio Almeida, disse que o resultado reforça outros estudos sobre o tema. “Quando uma pessoa percebe que o racismo aumentou, ela considera em certa medida que ele é parte da paisagem da cidade de São Paulo.”

A gerente Bruna Mirallas, 27 anos, disse que vê bastante discriminação, principalmente em transporte público. “As pessoas olham feio, se afastam”, descreve. Para a arrumadeira Jucelia Miranda, 30 anos, o preconceito segue na mesma e nunca é verbal, direto. “Só de olhar feio a gente percebe. No shopping, às vezes no transporte.”

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