Perereca pré-histórica ajuda a traçar origem de anfíbios no Brasil

Fóssil pode ainda contribuir para explicar a separação dos continentes e a formação do Oceano Atlântico

Um parente distante de sapos, rãs e pererecas, que viveu na era dos dinossauros, está ajudando a comunidade científica a traçar a origem de mais de mil espécies de anfíbios que existem hoje no Brasil.

O fóssil encontrado na Chapada do Araripe, no interior do Ceará, deve ainda ajudar a explicar a separação dos continentes e a formação do Oceano Atlântico.

Medindo apenas três centímetros e meio, o fóssil representa uma grande contribuição para a ciência. Ancestral das pererecas, rãs e sapos, a "cratopipa novaolindense" viveu há cerca de 110 milhões de anos, na era dos dinossauros.

O fóssil, encontrado em 2017 no interior do Ceará, acaba de ser apresentado à comunidade científica em artigo publicado numa revista especializada. Guardado no instituto de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o exemplar impressiona pelo grau de preservação.

Segundo o geólogo Ismar Carvalho, da UFRJ, a preservação se deve à altíssima concentração de sal no antigo lago onde o pequeno anfíbio morreu, provavelmente arrastado por uma correnteza que o tirou de seu habitat natural de água doce. “Temos preservado parte dos tecidos dos músculos dos tendões e algo que é bastante raro o fóssil está por completo com todos os ossos articulados”, diz.

A descoberta abre a janela para um passado muito distante, quando a América do Sul e África ainda estavam conectadas, e serve como testemunha das mudanças ambientais ocorridas em um momento crucial para a história do território brasileiro: a formação do Oceano Atlântico.

Comparando a anatomia da cratopipa com a de animais argentinos e africanos do mesmo grupo, os cientistas levantaram a hipótese de uma migração complexa de idas e vindas entre os dois continentes.

O fóssil também está ajudando pesquisadores a traçar as origens de centenas de anfíbios existentes no Brasil. “Tem vários indícios através do fóssil que a gente consegue supor como que era o hábito de vida desses animais e comparar isso com as mais recentes”, completa o biólogo Fábio Hepp.

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