Delações em curso podem ajudar investigações contra Temer, diz Janot

Procurador-geral deve entregar mais duas denúncias contra o presidente

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (7), que delações premiadas sendo negociadas pelo Ministério Público Federal (MPF) podem contribuir para inquéritos em curso contra o presidente Michel Temer (PMDB).

"Estamos com colaborações em curso que podem e muito nos auxiliar em uma e outra investigação", disse Janot ao jornal, sem, no entanto, citar os colaboradores devido ao sigilo das negociações.

O MPF negocia colaborações atualmente com o empresário Lúcio Funaro e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Temer já foi denunciado por Janot pelo crime de corrupção passiva com base nas delações de executivos da JBS, mas as denúncia teve a tramitação suspensa pela Câmara dos Deputados em votação na semana passada.

Janot e sua equipe têm trabalhado para apresentar em breve ao menos uma nova denúncia contra Temer, segundo uma fonte ouvida pela Reuters na semana passada. Ainda não está definido, segundo a fonte, se o presidente será acusado por obstrução de investigações e organização criminosa em uma única peça ou em duas separadas.

De acordo com a fonte, a nova denúncia também terá como base a delação dos executivos da JBS, mas poderá depois ser "turbinada" com novos fatos previstos em colaborações premiadas que estão sendo negociadas.

Cunha 

Sobre possível delação de Cunha, Janot disse à Folha que um dos critérios para um delator é que fale de alguém de um nível superior. "Não adianta ele virar para baixo, não me interessa", afirmou.

O procurador-geral também disse ao jornal que antes de deixar o cargo, em 17 de setembro, irá revogar um acordo de delação "por falta de protagonismo do colaborador", mas não disse qual.

Janot também defendeu o acordo de delação fechado pelo MPF com os irmãos Batista, controladores da JBS, apesar das críticas recebidas pela imunidade concedida aos executivos mesmo depois de terem reconhecido o cometimento de ilícitos.

"A opção que tinha era: sabendo desse fato e não podendo investigar sem que colaborassem, teria que deixar que isso continuasse acontecendo ou conceder a imunidade", afirmou o procurador-geral. "Se houve erro, foi de comunicação".

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