Planalto tem dificuldades para reaglutinar a base

Governo ainda não conseguiu recalcular o atual tamanho de seu apoio

A ressaca da vitória da base governista sobre a denúncia feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Michel Temer (PMDB) ainda não passou.

Pouco mais de uma semana após a votação na Câmara que terminou com placar de 263 a 227 a favor do peemedebista, o governo não conseguiu recalcular o atual tamanho de seu apoio, e uma semana que começou com discurso otimista, de retomada das discussões sobre a Reforma da Previdência, termina com o Palácio do Planalto desistindo de tentar votar três Medidas Provisórias que perdem hoje a validade, por expiração do prazo.

A mais polêmica é a MP 774/17, que retirava benefícios fiscais de empresas de 50 setores da economia; uma desoneração feita pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e que Temer tentou reverter, buscando aumentar a arrecadação federal.

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O aumento da arrecadação também é a preocupação central em uma votação marcada para a semana que vem, num cenário em que o governo se vê pressionado a ter de rever para cima a meta fiscal do ano, que já prevê deficit de R$ 139 bilhões.

Está marcada para a próxima quarta a votação da MP do Refis, programa de refinanciamento de dívidas com a Receita, e os articuladores do Planalto farão um esforço para buscar ao menos um meio termo entre o que o governo precisa e o que o Congresso aceita. Em sua versão original, o projeto previa uma arrecadação extra de R$ 13 bilhões ainda este ano, mas mudanças feitas na Câmara reduziram essa projeção para cerca de R$ 1 bilhão.

Crise com o Centrão

Grupo que tem sido determinante para as vitórias de Temer na Câmara, o chamado ‘Centrão’, formado por partidos médios e pequenos, como SD, PP, PSD e PR, agora está cobrando a conta e ameaça não ajudar, por exemplo, na votação do Refis.

Os aliados têm cobrado de Temer que tome cargos de aliados que não foram fiéis, como o PSDB, e redistribua entre parlamentares que têm se desgastado com suas bases para ajudar um governo impopular. Como não quer radicalizar e correr o risco de perder de vez o apoio tucano, Temer tem resistido e tentado negociar.

As tratativas deverão entrar pelo fim de semana, pois a principal preocupação do entorno do presidente é não passar a impressão de que o apoio de outrora está se desmantelando. “Mas o clima não está ameno”, resume o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF).

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E a Previdência?

Principal bandeira fiscal da gestão Temer, a Reforma da Previdência, que precisa de pelo menos 308 votos em dois turnos de votação na Câmara, fica mais difícil nesse cenário de incerteza.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vinha criticando até mesmo a sinalização do Planalto de tentar passar uma versãomais desidratada da reforma, ontem mudou de discurso. “O cenário [para aprovar a PEC] não é fácil”, admitiu. “Mas não é porque está difícil que vamos desistir”, completou.

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