Ciro Gomes aposta em ausência de Lula nas eleições de 2018: 'será um desserviço'

Para pré-candidato, se petista participar da disputa, o debate perderá força e ficará ao redor do 'amor e ódio' a Lula

O pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT-CE), acredita que uma possível ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) nas eleições de 2018 deixe o debate mais focado nas questões do país.

"Se o Lula for candidato, passionaliza o debate, que não se organiza sobre o futuro do Brasil. Vai ser uma coisa violenta, de paixão e ódio ao redor de Lula. Isso é um desserviço para a biografia dele e para o Brasil, especialmente", explicou, em entrevista ao Portal da Band.

O ex-governador do Ceará, inclusive, aposta na ausência do petista e diz que essa decisão pode "alargar a estrada" dele na corrida eleitoral.

Entretanto, Ciro não se vê como uma opção para o eleitor de esquerda. "O Brasil não pede um projeto de esquerda. O país precisa de um projeto de centro-esquerda, tocado por alguém que tenha solidariedade social genuína e experiência para mexer nas instituições econômicas para realmente visibilizar a distribuição de renda, já que o mais grave é a miséria em massa e a concentração de renda", disse.

Sobre ser um possível candidato "surpresa" nas pesquisas eleitorais, Ciro discorda. "Não é possível que uma pessoa como eu - com 38 anos de vida pública - tenha a pretensão de ser uma novidade. Novidade é o projeto que eu já tenho discutido e aprimorado por muito tempo", afirmou.

Testosterona

Ao Canal Livre, programa que vai ao ar neste domingo (22), o pré-candidato do PDT também comentou sobre a recente declaração que ganhou destaque na mídia. Sobre Marina Silva (REDE-AC), Ciro disse que não a vê com energia para a disputa e que, além disso, "o momento é muito de testosterona", hormônio masculino.

O pré-candidato afirmou que a reportagem cometeu um equívoco. "Essa declaração é uma mentira. A Marina é uma grande brasileira, tenho muito afeto por ela, já trabalhamos juntos", falou. "O que quis dizer é que ‘o Brasil está vivendo um momento de ódio político, explosivo, de testosterona’, um hormônio relacionado à agressividade. E as mulheres também têm esse hormônio", explicou à bancada do programa.

Ciro respondeu ainda perguntas sobre a economia do país e a polarização no cenário político.

O Canal Livre vai ao ar à meia noite deste domingo, com a apresentação de Fabio Pannunzio, além dos jornalistas Fernando Mitre, Julia Duailibi e Luiz Megale na bancada.

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