Bolsonaro diz ter nomes quase definidos para mais 4 ministérios

Em entrevista à José Luiz Datena, presidente eleito revelou que meio ambiente, agricultura, relações exteriores e transporte serão próximas pastas a terem ministros escolhidos

O apresentador José Luiz Datena entrevistou exclusivamente nesta segunda-feira, 5, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) durante o Brasil Urgente. Bolsonaro falou sobre as propostas de seu governo e explicou o que pretende fazer em setores como segurança pública, educação, relações exteriores e meio ambiente. O político revela ter nomes quase definidos para ministérios da agricultura, do meio ambiente, de relações exteriores e de transportes.

Justiça e segurança pública

Uma das maiores defesas durante campanha, Datena questionou Bolsonaro sobre as medidas que serão tomadas a partir de janeiro para mudanças na segurança pública e na Justiça.

O presidente eleito confirmou ter dado carta branca ao juiz Sérgio Moro para atuar no Ministério da Justiça em questões que envolvam corrupção e o crime organizado. Em assuntos antagônicos aos dois, porém, o político diz que precisará haver um consenso.

Bolsonaro voltou a falar da mudança na legislação sobre o porte de armas para cidadãos. “Nunca deixei de dormir com uma arma de fogo do meu lado, por que meu vizinho não pode também? Por que minha vida vale mais que a dele? Mas é claro que é preciso ter critérios para o elemento ter uma arma”. Para ele, a facilitação para o porte de armas não aumentará a violência. “Isso gera a paz, porque o bandido não vai cometer certas barbaridades sabendo que as pessoas têm arma”.

Outro ponto defendido por Bolsonaro e que terá prioridade entre as pautas do governo que assume em janeiro de 2019 é a garantia jurídica a soldados e policiais militares sobre a atuação em campo. “Tem que dar carta branca para soldados se defenderem se houver confronto. Ele precisa de garantia de que não será processado”.

O político citou a atuação do exército brasileiro no Haiti como exemplar. “Lá, a regra era: Encontrou elemento com arma de fogo, você atira e depois vai ver o que aconteceu. Resolve o problema. Aqui sempre vai para o lado das políticas dos direitos humanos. O militar sempre tem a dúvida ‘se eu atirar eu posso ir para cadeia, se não, vou para o cemitério. Temos que tirar essa duvida da cabeça dele”, afirmou.

Segundo o presidente eleito, o investimento no setor penitenciário ocorrerá apenas se houver verba. “Cadeia você amplia se tiver recurso, se não tiver você amontoa, o que não pode é deixar o criminoso aqui fora”. Bolsonaro defendeu ainda o fim da progressão de pena e das saídas de presos em datas específicas.

Para ele, o problema da intervenção militar instalada no Rio de Janeiro por Michel Temer foi a falta de retaguarda jurídica aos soldados. “Eles sabiam que qualquer problema que tivessem na rua seriam submetidos a auditorias. Você não pode botar a tropa na rua e deixar que ela se vire”.

Segundo Bolsonaro, os aparatos disponíveis atualmente para a atuação das forças policiais na segurança pública são suficientes, mas mal utilizados. Ele afirma ainda estar se inspirando em legislações de estados americanos para montar um modelo brasileiro. “Tem que acabar com o excesso de legítima defesa e dar o direito do soldado e do proprietário atirar quando precisar se defender”.

Sobre a fala de seu filho Eduardo Bolsonaro em relação ao Supremo Tribunal Federal, o presidente eleito diz que “o garoto deu uma escorregada”. “Eu chamei a atenção e ele entendeu que não pode aceitar provocações, perguntas sem pé nem cabeça”. Eduardo afirmou cerca de quatro meses atrás que para fechar o STF era preciso apenas um “soldado e um cabo”.

Articulação política

Com quase 30 anos de vida pública, Bolsonaro afirmou à Datena que usará de sua experiência para articular as decisões políticas no Congresso. O presidente eleito garantiu que já existe conversa com Michel Temer durante governo de transição e que precisará do auxílio dos presidentes da Câmara e do Senado para fazer andar suas propostas de governo.

Uma das principais pautas no foco dos parlamentares é a Reforma da Previdência. Bolsonaro afirma que pretende dar andamento a parte da reforma já apresentada pelo atual governo e, caso não consiga aprovação, o tema será resolvido logo no início de seu mandato. “Para mudar uma regra no meio do caminho tem que levar em conta que um ser humano vai ter sua vida mudada. Não tem cabimento querer que um PM com 65 anos esteja na ativa. Não é justo fazer uma reforma que trate todo mundo com essa igualdade”, disse.

Outro fator importante para o político é a articulação com as maiores bancadas do Congresso, a ruralista e a evangélica. “Temos como resolver problemas dessas bancadas a custo zero para o governo. Precisamos de um presidente na Câmara que não faça corpo mole e coloque em votação projetos do executivo”.

Bolsonaro afirma que a cúpula do PT no Congresso tem dado sinais de que fará uma forte oposição sem espaço para conversa. O presidente eleito afirmou que no que depender dele, Lula não será solto, mas a decisão sobre prisão em segunda instância caberá ao STF. “Se eles mudarem de ideia vai valer a pena ser corrupto. Não podemos ter um país que a opção boa é ser corrupto”.

“Se meu governo der errado o PT tem tudo para voltar, e se voltar, não sai mais. Eu tenho dito para os parlamentares que estamos no mesmo barco. Temos tudo para ser uma grande nação. Nós podemos vencer a velha política. Não teremos outra chance de mudar o destino do Brasil”, disse.

Economia

Alvo de polêmica durante campanha, Bolsonaro descartou a possibilidade da volta da CPMF. “Queremos salvar o Estado sem quebrar o cidadão brasileiro. Se fizermos acertos de forma gradual, atingimos os objetivos sem levar pânico à sociedade”.

O destravamento da economia é apontado pelo político como uma das prioridades. Para ele, é preciso desburocratizar a relação do empresário com o Estado e fortalecer o comércio com o mundo sem viés ideológico. Um dos meios propostos para a criação de emprego é o fortalecimento do turismo no País.

“Precisamos resolver o problema da segurança e investir no turismo no Brasil. Turismo é uma forma imediata de emprego. Vamos implementar o turismo na Baía de Angra, revogando decreto que colocou aquilo como reserva ecológica. Queremos que a Baía de Angra seja polo turístico. A forma como o desenvolvimento sustentável é feito aqui não tem como continuar”.

Meio Ambiente

O presidente eleito afirmou que uma das prioridades para seu governo é o apoio jurídico ao agronegócio. “No que depender de mim, não teremos mais demarcações de terras indígenas no Brasil. O fazendeiro não vai perder terra para reserva indígena”.

O político disse que, a princípio, não é possível mexer nas terras já demarcadas. “O índio quer evoluir, porque quando ele tem contato com a civilização quer melhorar e passar a viver dessa maneira, que é muito melhor que a dele. Índio tem que ter liberdade para vender sua terra, fazer o que bem entender dela. Ele não pode viver como animal em um espaço demarcado”.

Relações exteriores

O comércio exterior foi tema da entrevista de Datena com o presidente eleito. Bolsonaro afirmou que o objetivo é cultivar as relações com os países, mas preservando o patrimônio nacional. “Todos os países podem comprar no Brasil, o que não pode acontecer é eles comprarem o Brasil. Não podemos vender, terras agricultáveis, temos garantia alimentar aqui. Quando outro país investe aqui, o lucro não é para nós”.

Durante o governo de transição, o objetivo, segundo o presidente eleito, é ter conhecimento dos números da economia. Bolsonaro afirma que junto a sua equipe econômica, pretende privatizar grande parte das estatais brasileiras.

Nesta semana, o político se reuniu com representantes chineses e italianos para tratar das relações entre o Brasil e esses países. Um dos temas discutidos com a comitiva italiana foi a extradição de Cesare Battisti. Bolsonaro já afirmou que colocará fim ao exílio dado ao estrangeiro pelo governo do PT e a decisão passará então ao poder Judiciário.

O Mercosul será outro alvo de mudanças no governo do PSL. Bolsonaro afirma que as negociações com países do bloco continuarão, mas não terão mais viés ideológico.

Com políticas que sugerem uma maior aproximação com os Estados Unidos, o presidente eleito afirmou que as relações com a China não serão abaladas. “A China não quer deixar de fazer comércio conosco e nem nós com eles. O Paulo Guedes disse que nós devemos agregar valor ao que exportamos. Não podemos ser um país que exporta só commodities”.

Educação

Bolsonaro criticou questões da prova do Enem 2018 aplicada no domingo, 4, em todo o Brasil. O exame abordou temas como feminismo, racismo e homofobia. Para o presidente eleito, é necessário que seja revisto o conteúdo. “É preciso ver a qualidade do que é cobrado dos alunos. Dizem que tenho implicância com LGBT, não tenho implicância nenhuma, cada um é do jeito que quiser, mas uma questão de prova que entra na linguagem secreta de LGBT não tem sentido nenhum a não ser fazer com que a garotada tenha interesse mais para frente”, disse.

O político afirmou que o Ministério da Educação em seu governo não terá como foco questões de minorias. “O Enem continuará, mas temos que cobrar ali o que realmente tem a ver com a história do Brasil, com nossa cultura e não com LGBT. Parece que tem uma supervalorização por parte de quem nasceu assim. Não podemos supervalorizar questões de minorias.” Sobre o projeto da Escola Sem Partido, ele afirma que professor não pode usar a sala de aula para ‘doutrinar’ alunos com suas convicções. Bolsonaro também se colocou contra a ideologia de gênero. “Não se pode ensinar para o Joãozinho de sete anos que quando tiver 13 ele pode ser Maria. Isso só leva ao sexo de forma precoce e não é o que os pais querem”, disse.

Estado de saúde

Bolsonaro relata que seu estado de saúde é positivo e afirma que o maior incômodo é a bolsa de colostomia. No dia 12 de dezembro, o presidente eleito passará por uma cirurgia no Hospital Israelita Albert Einstein para a retirada do objeto. Após receber uma facada durante campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais, o político disse que teve sorte ao não ser atingido em órgãos vitais como o estômago e o fígado.

Compartilhar