Temer diz que “Fica Temer” é reconhecimento da população a seu governo

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, presidente afirma que não houve movimentos pela sua saída da Presidência

O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira, 8, em entrevista ao Bastidores do Poder da Rádio Bandeirantes, que o movimento emergido nos últimos meses nas redes sociais para que ele permanecesse no governo é uma forma de reconhecimento da população sobre seu governo. “Ao longo desses dois anos e meio não houve um movimento, a não ser aquele que tentava derrubar o governo, dizendo ‘o Temer não pode ficar’”. O “Fica Temer” teve uma repercussão no segundo turno das eleições com a disputa presidencial entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). Sobre a manifestação nas redes, Temer disse “É até uma coisa simpática e eu vi que se alastrou”.

O presidente declara que ao longo de seu governo foi “bombardeado” pela oposição e alvo de uma trama brutal que tentou derrubá-lo do comando do País. “A trama toda foi montada precisamente em torno da questão da previdência. Queriam impedir de qualquer maneira que se votasse a reforma e como eu insisti, houve uma trama indecente para que eu ficasse desmoralizado. Mas não conseguiram me derrubar”.

Temer confessa que tem orgulho da sua gestão por conta do avanço do País neste período. “O que se fez nesse País ao longo destes dois anos e meio foi coisa que não se fez nos últimos 15 anos. Tenho orgulho de ter feito isso”, garante.

O presidente explicou que desistiu da reeleição para preservar sua reputação. “Pensei em me candidatar, mas analisei e concluí que seria um bombardeio irracional e eu não podia colocar em risco a minha reputação. Resolvi desistir. Acho que já fiz o que tinha que fazer na vida pública”.

Governo de transição

Na quarta-feira, 7, Temer se reuniu com o presidente eleito Jair Bolsonaro para dar início ao governo de transição. “A conversa foi a melhor possível, tanto no plano profissional, quando falamos das principais questões do governo, quanto das coisas pessoais”, afirmou.

Temer convidou Bolsonaro para participar das reuniões do G-20 que fará nos dias 29 e 30 deste mês. “Disse a Bolsonaro que farei aquilo que for útil para o próximo governo, aliás tenho feito nos últimos dois anos. Eu falei para ele que peguei uma estrada esburacada e estou entregando uma estrada razoavelmente bem asfaltada”.

O presidente se dispôs a tomar as medidas cabíveis para facilitar a transição de governo, inclusive tentar aprovar uma reestruturação ministerial através de medida provisória ou ato normativo.

Uma das pautas da reunião com o presidente eleito foi o andamento da Reforma da Previdência. O emedebista afirmou que estudam passar parte da proposta através de outros meios legislativos que não precisem de tantos votos como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), mas assumiu que é difícil desenrolar a pauta no Congresso antes da mudança de governo.

Sobre o texto apresentado por sua equipe este ano, Temer diz que a proposta é uma transição suave. “Nossa reforma é muito suave, é uma transição de vinte anos. Nós vamos aumentando a idade [mínima para se aposentar] um ano a cada dois anos, então, para aumentar dez anos levaremos 20. É uma transição muito suave e o que ela faz é equiparar a aposentadoria do setor público com o privado”, afirma.

Fim do foro

Ao deixar a Presidência da República, o político perde o direito ao foro privilegiado e pode ser julgado na primeira instância. Além disso, as denúncias enviadas pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer à Câmara dos Deputados e não permitidas pelos parlamentares podem ter andamento.

Sobre as acusações, o presidente diz estar tranquilo e afirma que inquéritos são peças vergonhosas. “Conheço um pouco da arte jurídica, quando examino esses inquéritos é uma coisa vergonhosa. Quando leio aquilo tenho vergonha como professor jurídico. Eu tenho a convicção de que isso vai passar muito rapidamente”, garante.

Compartilhar

Deixe seu comentário