Moro diz que não estabeleceu nenhuma condição para ser ministro

Fala do ministro da Justiça contraria entrevista concedida à Rádio Bandeirantes por Bolsonaro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou nesta segunda-feira, 13, que não estabeleceu "nenhuma condição" para ocupar o cargo no primeiro escalão do governo Jair Bolsonaro e que a única condição – que ele preferiu chamar de "convergência" – que impôs para ser titular da pasta é que o foco do trabalho fosse atuar no combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes violentos.

"Eu não estabeleci nenhuma condição. Não vou receber um convite para ser ministro e estabelecer condições sobre circunstâncias do futuro que não se pode controlar", disse Moro, em palestra no Congresso Nacional de Macrocriminalidade e Combate à Corrupção, em Curitiba (PR).

A fala do ministro da Justiça contraria entrevista concedida na véspera à Rádio Bandeirantes por Bolsonaro. Nela, o presidente prometeu que vai indicar Moro para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal, que deve ser aberta em novembro de 2020, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello. O presidente afirmou que "tem um compromisso com Moro" sobre este assunto.

Na palestra, Moro disse ter recebido carta branca do presidente para montar a sua equipe no ministério e falou sobre o foco do trabalho à frente da pasta. "A única condição que eu coloquei ao presidente – e não vou dizer que é condição, é convergência – foi focar nesses três tipos de crime, que são aqueles que mais atormentam a vida dos brasileiros em relação às quais as nossas instituições vinham ou vêm apresentando uma performance não das melhores", disse Moro, em referência ao combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes violentos.

Em entrevista à rádio Jovem Pan também nesta segunda, o ministro da Justiça afirmou que se sentiu honrado com a declaração do presidente de que vai indicá-lo para a próxima vaga no Supremo, mas lembrou que a corte está completa no momento e que irá avaliar a opção se receber um convite de fato.

"Fico honrado com o que presidente falou, mas não tem a vaga no momento. Quando surgir, ele vai avaliar se vai manter convite, eu vou avaliar se vou aceitar, se for feito efetivamente o convite", disse à rádio, ao ressaltar que continua focado em seu trabalho na pasta de Justiça e Segurança Pública.

Considerado por muitos como um "gol de placa" do governo Bolsonaro na montagem do primeiro escalão, Moro tem acumulado uma série de dificuldades nos quatro meses à frente da pasta, que colocam em xeque o eventual sucesso dos planos para a área do ex-juiz da operação Lava Jato, que é apontado como potencial sucessor do presidente em 2022.

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