'Nunca tinha me ligado, parece que não gosta de mim', brinca Maia após receber ligação inédita de Bolsonaro

Presidente da Câmara falou sobre relação supostamente amarga do parlamento com o Executivo

Depois da votação de uma proposta polêmica e complexa, com um resultado que surpreendeu até os próprios deputados federais, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que recebeu uma ligação inédita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) após a aprovação - em primeiro turno - da reforma da Previdência na Casa.

“Eu fui eleito presidente da Câmara e ele nunca tinha me ligado. Parece até que não gosta de mim. Mas ontem ele me ligou”, brincou o deputado em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, nesta quinta-feira, 11. “Agradeço a ligação, acho que é importante a ligação, é importante o agradecimento dele a mim e a todos os deputados que votaram.”

Maia tentou amenizar as supostas rusgas na relação do Congresso com o Executivo. “Ele [Bolsonaro] vai com a minha cara, sim. Nós sempre tivemos uma boa relação; temos posições divergentes em alguns temas, mas isso é da democracia. Naquilo que é mais importante para o Brasil, que é a agenda de reformas, estamos do mesmo lado”, acrescentou.

Na noite de quarta-feira, 10, a Câmara aprovou a proposta de reforma da Previdência com uma vitória folgada: foram 379 votos a favor do projeto, praticamente garantindo sua aprovação em segundo turno na Casa, algo que Maia espera que seja feito até essa sexta-feira, 12.

“Nós demos uma demonstração de responsabilidade, de prioridade na pauta, de compromisso com o que é relevante, independente se isso gera desgaste ou não”, afirmou. “Demos uma sinal forte, de que queremos um bom diálogo, queremos que o presidente entenda que, no sistema democrático, o parlamento tem um papel relevante. Queremos que ele, que influencia tantos brasileiros e que tem um entorno às vezes muito radical, compreenda que os ataques contra a Câmara geram instabilidade política e instabilidade no interesse de qualquer empresário que quer investir no Brasil.”

Para o presidente da Câmara, quem organiza a relação com poder Legislativo é o poder Executivo, mas ele diz estar aberto ao diálogo com Bolsonaro e observou que o próprio presidente também sofre ataques, principalmente virtuais. “O ambiente é muito radical nas redes sociais. Quem está nos extremos, seja na esquerda ou na direita, só consegue enxergar os seus líderes, e não dá para responsabilizar o presidente disso. Agora, com essa sinalização forte que demos, se a agenda do presidente é reformar o Estado brasileiro, ele terá aqui na Câmara pelo menos 379 deputados que também acreditam nisso”, ressaltou.

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