Lula critica ‘banda podre do Estado que tentou criminalizar a esquerda’

Citando diretamente o ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, ex-presidente foi enfático e disse que eles não são 10% da honestidade que ele representa para o país

Em seu primeiro discurso após deixar a prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dirigiu nesta sexta-feira, 8, principalmente aos manifestantes que fizeram vigília em frente à sede da Polícia Federal desde o dia 7 de abril de 2018, quando o petista foi preso.

"Muito tempo que eu não vejo um microfone na minha frente. Eu poderia estar aqui conversando com homens e mulheres que, durante 580 dias, gritaram aqui 'Bom dia, Lula', gritaram 'Boa tarde, Lula' e gritaram 'Boa noite, Lula'. Não importava se estivesse chovendo, 40 graus, zero graus. Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para fazer justiça", disse.

Durante o discurso, o petista atacou a Polícia Federal e o Estado brasileiro que o condenaram. "Há um lado podre do Estado brasileiro [...], da Polícia Federal, da Receita Federal que trabalhou para tentar criminalizar a esquerda, criminalizar o PT e criminalizar o Lula", criticou.

Citando diretamente o ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, Lula foi enfático e disse que eles não são 10% da honestidade que ele representa para o país. "Eles tentaram matar uma ideia, mas uma ideia não desaparece. Quero trabalhar para provar que se existe uma quadrilha, é essa maracutaia que eles fizeram para tentar criar uma imagem que o Lula era bandido", afirmou.

Lula agradeceu novamente aos manifestantes da vigília durante os 580 dias em que esteve preso, os companheiros do Partido dos Trabalhadores (PT), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido da Causa Operária (PCO).

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O petista citou nominalmente a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, e também o ex-prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo o ex-presidente da República, Haddad perdeu a eleição à presidência em 2018 porque foi roubado.

Lula também não poupou o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e o acusou de propagar mentiras em suas redes sociais. "Ele tem 20 pessoas que fazem tuíte para ele, eu só tenho uma que tem cara e nome", disse. O brasileiro "merece um governo que não minta tanto pelo Twitter quanto o Bolsonaro mente", finalizou.

O petista confirmou que fará um discurso em São Bernardo do Campo no Sindicato dos Trabalhadores neste sábado, 9, às 13h, antes de começar uma jornada pelo país.

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